25/06/2014 – Atualizado em 25/06/2014
O novo abrigo terá um funcionamento mais próximo do convívio familiar e proporcionará melhor estrutura social para os atendidos
Por: Ray Santa Cruz
A Redação da Rádio Caçula recebeu informações de um internauta relacionada à transferência de crianças abrigadas no Abrigo Poço do Jacó, ao novo local chamado de Casa Lar de Três Lagoas. Como o assunto é de grande importância para a sociedade e cidadãos que trabalham e visam melhorias na convivência com crianças e adolescentes que permanecem em abrigos, a reportagem buscou melhores informações com a Promotora Ana Cristina Carneiro Dias, confira a entrevista a seguir.
1- R.C. As crianças que vivem no Poço do Jacó estão realmente sendo transferidas para a Casa Lar? Quais são os motivos?
Promotora Ana Cristina: Algumas crianças serão transferidas para a Casa Lar. Serão em torno de 10 crianças. O motivo é em razão da nova forma de modelo de acolhimento que o Município de Três Lagoas criou que é a Casa Lar.
Esta, diferente dos abrigos, tem o funcionamento mais parecido com uma família. Existe um casal educador que mora junto com as crianças, sendo os responsáveis legais dela. A casa é menor e só pode receber até 10 crianças/adolescentes, dando prioridade para que os irmãos fiquem juntos.
A Dra, explica que no abrigo comum, o coordenador e os funcionários cumprem horário de 8 horas ou escala de plantão e isso distancia o relacionamento entre os acolhidos e os cuidadores. Para ela a primeira Casa Lar instalada em Três Lagoas será uma experiência na prestação do serviço de acolhimento e esta sempre foi uma reivindicação da Promotoria de Justiça e do Poder Judiciário.
2- R.C. Quais são os possíveis impactos na adaptação das crianças em outro local?
Promotora Ana Cristina: As crianças estão sendo preparadas para a transferência. E considerando que as mesmas viverão em um lugar onde é respeitada sua individualidade, onde viverá em condições de se sentir pertencente a um grupo familiar, não vislumbro impactos negativos a serem enfrentados. Sem falar que as crianças tem poder de adaptação muito mais presente que nós adultos.
3- Só as crianças maiores de 2 anos estão sendo transferidas?
Promotora Ana Cristina: Como é um modelo novo em que todos estarão aprendendo, pensamos em não transferir de início os bebês. Mas serão transferidos grupos de irmãos, sendo respeitada a legislação quanto ao assunto.
5- O espaço do Poço do Jacó irá virar um albergue após a desativação total?
Promotora Ana Cristina: De forma alguma. O pacto que esta Promotoria de Justiça e o Poder Judiciário tem com a Prefeitura Municipal é que o Abrigo Poço de Jacó continuará funcionando normalmente, com capacidade para receber até 20 crianças/adolescentes. E que somente depois de passado um bom tempo em que for possível avaliar os pontos positivos e negativos da nova forma de acolhimento, isto é, da Casa Lar inaugurada, é que refletiremos quanto a extinção do abrigo. E isso é futuro!
A Promotora ainda afirma que o número de crianças e adolescentes acolhidos é alto e os abrigados precisam daquele local, que sempre cumpriu seu papel com muita eficiência.
Ana Cristina diz que o Abrigo Poço de Jacó continuará funcionando, bem como a Casa Acolhedora e frisa que o mesmo ainda está precisando da comunidade de Três Lagoas para garantir aos acolhidos melhores condições, para que o tempo de permanência das crianças nos respectivos abrigos sejam menos traumático possível.




