21.8 C
Três Lagoas
domingo, 8 de fevereiro, 2026

Cadáveres eram expostos como troféus, diz ex-agente da ditadura

Geral – 10/05/2013 – 15:05

O ex-servidor do DOI-Codi de São Paulo Marival Chagas Dias do Canto afirmou nesta sexta-feira (10) em depoimento à Comissão Nacional da Verdade, que, durante a gestão do ex-coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, cadáveres de militantes mortos em centros clandestinos de tortura eram exibidos como “troféus” a agentes no órgão.

Ustra foi o chefe do DOI-Codi, órgão de repressão política durante o regime militar, de 29 de setembro de 1970 e 23 de janeiro de 1974.

Marival foi analista do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna do II Exército em São Paulo (DOI-Codi/SP) de 1973 a 1975 e relatou que a exibição era como um “troféu” para o comandante do órgão na época, o coronel Brilhante Ustra.

“Pelo menos em duas ocasiões eu assisti a isso. Eu não quero me ater a fatos anteriores a minha chegada lá, que foi em 1973. Acredito que era praxe. As pessoas importantes que eram mortas nas mais variadas circunstâncias eram levadas para lá. As pessoas eram expostas à visitação pública no órgão como um troféu”, disse em entrevista após o depoimento.

O ex-agente foi a primeira testemunha ouvida na audiência desta sexta-feira, que ocorre na sede da Comissão Nacional da Verdade, em Brasília. O coronel Brilhante Ustra também foi convocado, mas obteve na justiça o direito de ficar calado.

Durante o depoimento, Marival Chagas afirmou que viu dois corpos expostos para visitação interna no órgão, o casal de militantes Antonio Carlos Bicalho Lana e Sônia Maria Moraes Angel Jones. O episódio teria ocorrido, segundo disse, no final de 1973. “Esse casal foi trazido para o DOI depois de morto e exposto à visitação interna. Eu vi o casal morto e vi perfurações a bala bem direcionadas na cabeça, nos ouvidos”, relatou.

De acordo com o ex-sargento, “o comando era permissivo em relação a esse tipo de atitude”. “Suponho que essas pessoas eram trazidas para órgão por se tratar de pessoas importantes”, afirmou Marival.

Ele afirmou ainda que o casal Lana e Sônia foi morto em um centro de tortura localizado na Serra do Mar. “Esse cárcere era de um proprietário de uma transportadora de São Paulo”, declarou o ex-agente, sem detalhar a identidade dessa pessoa.

Outro militante cujo corpo também teria sido exposto dentro do comando foi Yoshitane Fujimori, de acordo com Marival Chagas.

Fonte: G1

Deu na Rádio Caçula? Fique sabendo na hora!
Siga nos no Google Notícias (clique aqui).
Quer falar com a gente? Estamos no Whatsapp (clique aqui) também.

Veja também

PRF apreende 20 toneladas de produtos irregulares em duas operações na região de Três Lagoas

Cargas de origem estrangeira sem comprovação fiscal foram encontradas em caminhões abordados nas rodovias BR-262 e BR-158 A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu cerca de...

Prazo para regularizar título de eleitor termina em 6 de maio

Eleitores têm 90 dias para atualizar cadastro, fazer transferência, emitir o primeiro título ou cadastrar biometria antes do fechamento do cadastro eleitoral Faltam exatamente 90...

Bioparque Pantanal terá contratos de manutenção licitados pelo Governo de MS

O Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), lançou nesta sexta-feira (6) três editais de...