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domingo, 5 de julho, 2026

Brasil encerra 2024 com queda de 7,1% nas reservas internacionais

O Brasil fechou o ano de 2024 com US$ 329,7 bilhões em reservas internacionais, uma “poupança” em moedas estrangeiras que serve como seguro contra crises externas. Esse valor representa uma queda de 7,1% (ou US$ 25,3 bilhões) em relação ao ano anterior, quando as reservas somavam US$ 355 bilhões.

A redução das reservas em 2024 deve-se principalmente à venda de dólares pelo Banco Central no final do ano, totalizando US$ 20,07 bilhões injetados no mercado à vista. Além disso, foram contabilizados outros US$ 15 bilhões em leilões de linha, um tipo de empréstimo cujos valores retornam posteriormente às reservas cambiais. Essas operações ocorreram em dezembro, em meio à disparada do dólar, que fechou 2024 com alta de 27%, a R$ 6,17.

A valorização do dólar em 2024 foi influenciada por fatores externos e internos, como conflitos internacionais, taxas de juros nos Estados Unidos, a eleição de Donald Trump e expectativas sobre as contas públicas brasileiras. Especialmente no final do ano, o foco esteve no quadro fiscal do Brasil, com receios do mercado financeiro sobre a eficácia do pacote de corte de gastos anunciado pelo governo em novembro.

As reservas internacionais são um volume de dólares que o país mantém em caixa, aplicados em ativos seguros, geralmente títulos do tesouro norte-americano. Essas reservas garantem proteção contra crises no mercado internacional e retiradas de recursos por investidores, proporcionando mais autonomia ao país e reduzindo a dependência de empréstimos externos, como os do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O governo acumula dólares de três formas: comprando no mercado, recebendo por suas aplicações ou emitindo títulos da dívida pública no mercado internacional. No entanto, reservas muito altas também representam um custo para a sociedade, devido aos juros mais baixos dos investimentos no exterior em comparação aos juros pagos pelo governo ao emitir papéis no mercado interno. Segundo Sérgio Gobetti, economista do IPEA, esse custo de carregamento no Brasil é de cerca de R$ 40 bilhões por ano.

A administração da política cambial é responsabilidade do Banco Central, que possui autonomia legal desde 2021. A instituição intervém no câmbio apenas em momentos específicos, como para evitar movimentos bruscos no dólar ou quando há falta de divisas no mercado. No final de 2024, o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, explicou que a venda de dólares ocorreu devido a uma saída atípica de recursos do país. Ele foi substituído por Gabriel Galípolo no início de 2025, que afirmou que não houve um “ataque especulativo” com a subida do dólar no final do ano.

Galípolo destacou que o mercado funciona com posições contrárias, com compradores e vendedores, e que a subida do dólar não representa um movimento coordenado.

Com informações G1

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