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Bento 16 defendia que o cargo não fosse vitalício, diz historiador

Internacional – 26/02/2013 – 09:02

Mesmo antes de ser eleito papa, Bento 16 já defendia que o mais alto cargo da Igreja Católico não fosse vitalício. Foi o que disse o padre José Arnaldo Juliano, historiador e coordenador do Departamento de Pesquisa no Museu de Arte Sacra de São Paulo.

Entenda o processo sucessório do Papa

Quando o chefe da Igreja Católica renuncia a sua função ou morre, seu sucessor é eleito pelos cardeais reunidos em conclave na Capela Sistina, onde ficam isolados do mundo exterior.

Cinco cardeais brasileiros deverão participar do conclave que se reunirá para eleger o sucessor do papa Bento 16. Segundo a última lista do Vaticano, há um total de 116 cardeais aptos a votar no conclave.

Para poder votar na escolha do papa, o cardeal precisa ter menos de 80 anos. O Brasil tem um total de nove integrantes no Colégio Cardinalício do Vaticano, mas quatro deles já ultrapassaram a idade limite.

“Essa afirmação foi dita pelo próprio Joseph Ratzinger, antes de se tornar o papa Bento 16, durante um estágio que fiz em Roma”, conta o historiador, que disse ter tido contato direto com Ratzinger por cerca de quatro meses. “Ele defendia, já naquela época, que o ministério papal não poderia ser vitalício. Os pontífices não podem ter uma idade muito avançada, porque não conseguiriam conduzir com eficiência essa missão.”

Juliano reconhece que em oito anos de pontificado Bento 16 viveu “profundo estresse”, provocado pelo “acirramento das crises europeias, estruturais, econômicas, políticas e religiosas, da globalização, da exigência por repostas a questões civilizatórias”, assim como os escândalos dentro da Igreja Católica. “Lógico que ele se cansou das traições ao seu redor. Quem não se cansaria? Ele não é anjo, também é humano”, afirmou.

Para o historiador, esse conjunto de fatores aliado à idade deixou o pontífice desgastado física e moralmente. “Bento 16 sempre teve o perfil de querer fazer tudo ao mesmo, mas, de um tempo para cá, as limitações físicas já não o permitiam fazer mais isso.”

Desgaste também reconhecido por Francisco Borba, sociólogo e coordenador do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). “O que se vê é que Bento 16 já não tinha mais forças físicas para algumas das funções do pontificado, entre elas as viagens e as atividades de ordem administrativa. Mas, não perdeu a capacidade intelectual, basta ver o conteúdo de seus últimos discursos.”

Ainda assim Juliano e Borba dizem não acreditar que a renúncia de Bento 16 esteja relacionada com os casos de pedofilia na Igreja Católica, tampouco com o dossiê encomendado a três cardeais de confiança sobre o escândalo do vazamento de informações confidenciais da Santa Sé.

“O pontífice não está renunciado por causa do peso dos danos morais. Isso está muito bem resolvido. Os religiosos pedófilos são punidos pelas leis civis de seu Estado e as leis canônicas, que prevê até o afastamento do serviço religioso em caso de comprovação da denuncia”, disse o historiador, que apontou a existência de um colapso estrutural da Igreja.  “A crise não é uma novidade na história do Vaticano. Mas é importante saber que isso não significa a falência de uma estrutura ou de uma instituição. É o fortalecimento de um sistema.”

E, segundo o coordenador da PUC-SP, as denúncias de corrupção e de pedofilias magoaram não só o papa, “mas também a toda a Igreja Católica”. 

A renúncia 

O papa Bento 16 anunciou sua renúncia no dia 11 de fevereiro em um discurso pronunciado em latim durante um encontro de cardeais no Vaticano. Ao justificar sua decisão, o pontífice de 85 anos alegou fragilidade por conta da idade avançada.

O pontífice disse que “no mundo de hoje (…), é necessário o vigor tanto do corpo como do espírito, vigor que, nos últimos meses, diminuiu em mim de tal forma que eis de reconhecer minha incapacidade para exercer bem o ministério que me foi encomendado”.

O Vaticano negou que uma doença tenha sido o motivo da renúncia. Mas, segundo o jornal “O Estado de S.Paulo”, uma disputa interna de poder praticada por ex-aliados nos últimos meses pode ser uma das razões para a tomada de decisão do pontífice. Esta é a primeira vez na era moderna que um papa da Igreja Católica renuncia ao pontificado.

Já o jornal italiano “La Reppublica” relacionou à renuncia do pontífice a um relatório com cerca de 300 páginas sobre o escândalo do vazamento de documentos confidenciais da Santa Sé, redigido por três cardeais e entregue à Bento 16 em dezembro de 2012. O Vaticano reconheceu a existência do documento, mas descartou qualquer relação com a decisão do papa.

A renúncia de bento 16 será oficializada no dia 28 de fevereiro. E o cargo ficará vago até a eleição do próximo papa. A expectativa é que o Conclave de cardeais, eleja um novo papa ainda em março, antes da Páscoa. 

Cinco cardeais brasileiros deverão participar do conclave. Segundo a última lista do Vaticano, há um total de 116 cardeais aptos a votar no próximo papa. Para participar da papa, o cardeal precisa ter menos de 80 anos. O Brasil tem um total de nove integrantes no Colégio Cardinalício do Vaticano, mas quatro deles já ultrapassaram a idade limite.

Últimas palavras

Em sua primeira aparição pública desde o anúncio da renúncia, o papa Bento 16 disse que tomou a decisão “pelo bem da igreja”. Bento 16 agradeceu pelo “amor” e apoio dos fieis.

Ao fim do retiro espiritual de seis dias, no sábado (23), o papa Bento 16 se reuniu com a Cúria Romana e informou que mesmo após a renúncia se manterá próximo “espiritualmente” da Igreja Católica.

 

O discurso também incluiu uma advertência sobre os “males deste mundo, o sofrimento e a corrupção” e um agradecimento aos cardeais que acompanharam o “peso do ministério papal” com “habilidade, afeto, amor e fé” nos últimos oito anos.

 

Já em sua última oração do Angelus, no domingo (24), Bento 16 disse que Deus pediu para que ele se dedicasse à “oração e à meditação” e reafirmou que não abandonará a Igreja.

 

“Neste momento de minha vida, sinto que a palavra de Deus está dirigida a mim. O Senhor me chama a subir ao monte, a dedicar-me ainda mais à oração e à meditação. Isso não significa abandonar a Igreja, ao contrário, se Deus me pede isso é para que eu possa continuar a servi-la do mesmo modo dedicado com que o fiz até agora, mas de acordo com a minha idade e as minhas forças”, disse o pontífice.

Fonte: Uol Notícias

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