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Três Lagoas
segunda-feira, 24 de agosto, 2026

Artesanato, sabores e tradição tomam conta da 36ª Festa do Folclore em Três Lagoas

Tradicional espaço da feira reuniu peças feitas à mão, doces artesanais, produtos naturais, crochês e sabonetes, valorizando talentos e tradições culturais

A 36ª Festa do Folclore de Três Lagoas,encerrada no último domingo, 26, vai muito além dos shows e das atrações culturais. Durante os quatro dias de programação, o público também pôde conhecer de perto o trabalho de artesãos e produtores que transformam criatividade, tradição e conhecimentos passados de geração em geração em peças e produtos únicos.

No espaço dedicado ao artesanato, há opções para todos os gostos, sendo peças produzidas em cabaça, as tradicionais galinhas decorativas, facas artesanais, inclusive com símbolos de times de futebol, bonecas de tecido, flores, panos de prato, utensílios para cozinha, amigurumis, bolsas e roupas de crochê e peças decorativas.

Além dos trabalhos manuais, os visitantes encontram uma grande variedade de doces e produtos artesanais, como balas geladas, brigadeiros, pipoca gourmet, cakes e os chamados copos tropicais, preparados com frutas temperadas, mel e limão-siciliano.

SABORES QUE PRESERVAM A CULTURA

Entre os expositores está o artesão Jurandir Antônio Nunes, que apresenta produtos da chamada Arte no Tacho, com doces, geleias, licores e ingredientes tradicionais. “Hoje a gente está com doces, geleias, licores. Eu tenho um bombom feito com baru e também a farinha de jatobá. São algumas iguarias que poucas pessoas têm”, explicou o artesão.

Jurandir também destaca produtos como a castanha de cumbaru e ressalta a importância de valorizar uma alimentação mais natural. “Hoje em dia a gente sabe que está todo mundo voltando para o natural. A castanha de cumbaru é rica em ômega 3, 6 e 9”, afirmou.

“A gastronomia artesanal tem que ser divulgada, tem que ser bem difundida na nossa região”, destacou Jurandir

Com raízes quilombolas, Jurandir contou que veio do Mato Grosso e está há 12 anos em Três Lagoas. Ele é sócio-fundador da Casa do Artesão Três-lagoense e afirma que seu trabalho tem como objetivo manter vivas tradições culturais e gastronômicas. Primeiro, a gente é quilombola. Eu vim do estado do Mato Grosso, estou aqui há 12 anos. Sou sócio-fundador da Casa do Artesão Três-lagoense”, contou.

Segundo o artesão, as receitas e os conhecimentos herdados fazem parte de uma cultura que ainda precisa ser mais divulgada. “A gente traz as receitas dos doces caseiros, dessa culinária que é pouco difundida. A gastronomia artesanal tem que ser divulgada, tem que ser bem difundida na nossa região”, destacou.

SABONETES FEITOS À MÃO

Outro destaque do espaço é o trabalho da artesã e professora Jackeline Valentim, que produz sabonetes artesanais utilizando ingredientes naturais.

Entre as opções estão sabonetes de mel e laranja, açafrão, camomila e mel, alecrim, arruda e sal grosso, carvão ativado, lavanda e babosa, esta última produzida sob encomenda. “Eu faço sabonetes artesanais só com produtos naturais. Sem conservante industrializado e sem corante industrializado. Então, qualquer tipo de pele pode usar”, explicou Jackeline.

Jackeline Valentim apresenta seus sabonetes artesanais, produzidos com ingredientes naturais.

Os produtos têm preços que variam de R$ 6 a R$ 20, de acordo com o tamanho e a opção escolhida. A artesã também explica que uma das diferenças de sua produção está justamente na composição dos sabonetes.

O sabonete industrializado tem muito parabeno e muitas coisas que irritam a pele, principalmente das pessoas que têm pele sensível. O sabonete artesanal garante que todo mundo consegue usar sem agredir a pele”, afirmou, onde quem quiser conhecer seu trabalho pode a procurar em suas redes sociais.

ARARAS LEVAM HORAS PARA FICAR PRONTAS

Entre os destaques está o Ateliê Pantanal, da artesã Joelma Mendes Pedroso, que apresenta peças autorais, incluindo araras de tecido que chamam a atenção de quem passa pela feira.

Para mim é um prazer estar presente em mais um evento do Folclore. Todos os anos a gente está aqui. As minhas peças são peças autorais minhas. Fui eu que criei os moldes e sou apaixonada pelas araras”, contou Joelma.

A artesã também destacou a organização da festa e a oportunidade de participar novamente do evento. “Só gratidão mesmo. O evento está maravilhoso, está muito organizado. Tudo limpo, tudo perfeito”, afirmou.

Joelma Pedroso, do Ateliê Pantanal, exibe uma de suas araras artesanais, peça autoral produzida à mão.

O trabalho artesanal exige tempo, dedicação e atenção aos detalhes. Segundo Joelma, uma arara de tamanho maior pode levar entre quatro e cinco horas para ser produzida. Uma inteira leva em torno de quatro horas. Tem a parte de riscar, cortar o tecido, ir na máquina, fechar, desvirar, encher, colocar a olhinha de trava, acabamento, tudo. Leva mais ou menos quatro a cinco horas para fazer uma, explicou.

As peças são produzidas em diferentes tamanhos, desde pequenos chaveiros até araras maiores e outros animais. Quem quiser adquirir os produtos pode entrar em contato diretamente com a artesã em seu instagram. As peças também estão disponíveis na Casa do Artesão.

TRADIÇÃO QUE VIRA ARTE

O passeio pela feira revela ainda uma infinidade de produtos feitos à mão. As peças de crochê, os amigurumis, as bolsas, roupas, bonecas e objetos decorativos mostram a diversidade dos trabalhos apresentados pelos artesãos.

Para quem gosta de culinária artesanal, as opções também são variadas, com doces, geleias, licores, produtos naturais e outras receitas que carregam histórias e tradições.

Mais do que um espaço de vendas, a feira de artesanato da 36ª Festa do Folclore se transformou em um ponto de encontro entre cultura, criatividade e memória.

Cada peça e cada receita apresentada ao público ajudam a manter vivas tradições que fazem parte da identidade cultural de Três Lagoas e da região.

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