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sexta-feira, 1 de maio, 2026

Argilas raras conseguem combater a superbactérias

03/08/2014 – Atualizado em 03/08/2014

Por: Jornal da Ciência

A OMS (Organização Mundial de Saúde), tem chamado a resistência aos antibióticos de “ameaça global de segurança de saúde”

Só nos Estados Unidos, mais 2 milhões de pessoas foram infectadas com bactérias resistentes a múltiplas drogas. São as chamadas ‘superbactérias’.

Um estudo recente, conduzido por Lynda Williams, da Universidade Estadual do Arizona, sugere que os minerais encontrados em depósitos de argila podem ser uma boa fonte de antibióticos combatentes das superbactérias. Os resultados foram publicados na revista Environmental Geochemistry and Health

“Como cepas bacterianas resistentes aos antibióticos surgem e representam um aumento dos riscos de saúde, novos agentes antibacterianos são urgentemente necessários”, explicou Williams, em um comunicado à imprensa.

Uma técnica milenar – e popular -, consistia em aplicar argila em feridas, antes de qualquer conhecimento de patógenos ou antibióticos existir. Williams publicou um artigo em 2012 que explorou o potencial antibiótico de duas argilas verdes francesas, ricos em ferro de esmectita, quando em contato com úlceras de Buruli. As infecções são causadas pela Mycobacterium ulcerans, provocando uma lesão necrótica que pode levar à incapacidade ou morte se não for tratada. Embora a argila tenha sido eficaz em matar as bactérias, ao término do efeito, era difícil achar combatentes semelhantes.

Esta pesquisa recente explorou a eficácia do antibiótico proveniente do barro de um depósito, localizado em Oregon, nos EUA. As argilas do local provavelmente foram formadas há 20 ou 30 bilhões de anos e incorporaram depósitos de cinzas vulcânicas. Haviam quatro tipos de argilas amostradas a partir desta região: duas azul, uma branca e uma vermelha.

As duas amostras de argila azul eliminaram superbactérias completamente. A S. aureus (MRSA) era totalmente resistente a meticilina, além de outros antibióticos. A E. coli testada também era resistente e considerada uma superbactéria. A argila branca foi eficaz não só contra a E. coli como também contra a S. epidermidis, mas a argila vermelha não demonstrou nenhuma ação antibiótica com relevância.

“Até o momento, as argilas antibacterianas mais eficazes são aquelas do depósito de Oregon”, afirmou Williams.

Williams e sua equipe foram capazes de aprender mais sobre o mecanismo que combate essas bactérias infecciosas, tendo como base a sua pesquisa anterior com os depósitos franceses. Nossa pele, tipicamente, tem um pH abaixo de 5,0, tornando-a ligeiramente ácida. Isso contribui para manter as bactérias ativas. No entanto, feridas crônicas são geralmente mais alcalinas.

“Argilas antibacterianas podem amortecer feridas a um pH baixo”, explicou Williams. “As argilas podem mudar o ambiente da ferida para uma faixa de pH que favorece a cura, ao matar as bactérias invasoras”.

Além disso, os minerais da argila captam o ferro rapidamente, o que acaba sendo forte demais para as proteínas de armazenamento no interior das bactérias. Como o ferro oxida, ele cria moléculas que danificam a célula, matando a bactéria.

Hoje, muitos tratamentos disponíveis danificam o organismo com efeitos colaterais desagradáveis. Compreender o funcionamento desse novo método de tratamento é importante para ajudar a tratar infecções bacterianas que são resistentes às drogas tradicionais, proporcionando uma nova saída e possibilidades maiores de cura.

Fonte: Iflscience Foto: Reprodução / GovernmentSecrets

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