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Três Lagoas
segunda-feira, 26 de outubro, 2026

Árbitra de Três Lagoas é alvo de comentário machista após jogo decisivo do Paulista

Declaração de zagueiro do Red Bull Bragantino gerou reação nacional e caso é encaminhado ao Tribunal de Justiça Desportiva

A árbitra três-lagoense Daiane Caroline Muniz dos Santos ganhou destaque no noticiário esportivo nacional após um episódio de discriminação ocorrido ao fim de uma partida decisiva do Campeonato Paulista.

Após a derrota do Red Bull Bragantino por 2 a 1 para o São Paulo Futebol Clube neste domingo, 22, resultado que eliminou a equipe da competição, o zagueiro Gustavo Marques questionou, ainda no gramado, a presença de uma mulher na arbitragem. “Não adianta colocar uma mulher para apitar um jogo desse tamanho”. A fala associou o desempenho profissional ao gênero da árbitra e provocou forte repercussão.

Torcedores, dirigentes e representantes do futebol classificaram a declaração como machista e incompatível com os princípios de respeito e igualdade defendidos pelo esporte.

Natural de Três Lagoas, Daiane construiu carreira sólida na arbitragem. Em 2020, tornou-se a primeira mulher a atuar como árbitra principal em uma partida do Campeonato Sul-Mato-Grossense masculino. Posteriormente, passou a integrar o quadro da Federação Paulista de Futebol, onde também exerce a função de árbitra de vídeo em competições nacionais.

No cenário internacional, participou como assistente de vídeo na Copa do Mundo Feminina Sub-20 e também na Copa do Mundo Feminina da FIFA, ampliando sua presença em eventos de relevância mundial.

Diante da repercussão negativa, o Red Bull Bragantino divulgou nota oficial repudiando o teor das declarações e pedindo desculpas à árbitra. Segundo o clube, o atleta esteve no vestiário da arbitragem, acompanhado do diretor esportivo Diego Cerri, para se retratar ainda no estádio.

A diretoria informou que Daiane aceitou as desculpas, mas reforçou a gravidade do ocorrido e a necessidade de responsabilidade por parte dos atletas, mesmo em momentos de frustração. O clube também anunciou a abertura de avaliação interna para eventual aplicação de medidas disciplinares.

A Federação Paulista de Futebol (FPF) manifestou indignação e classificou a fala como misógina. A entidade destacou que mantém dezenas de mulheres em seu quadro de arbitragem e que a participação feminina é motivo de orgulho para o futebol paulista.

O caso foi encaminhado ao Tribunal de Justiça Desportiva para análise e possível aplicação de sanções. Como as declarações ocorreram após o término da partida, não houve punição imediata em campo.

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