Geral – 13/04/2012 – 08:04
País comunista admitiu que suposto satélite falhou ao tentar entrar na órbita da Terra
O governo da Coreia do Norte admitiu nesta sexta-feira (13) que o foguete lançado na quinta-feira (12), às 19h39 (horário de Brasília), falhou e acabou se desintegrando durante o voo. A atitude de admitir o erro foi considerada “inesperada” pela opinião pública internacional, que se mostrou muito irritada com a tentativa de lançamento de um suposto satélite meteorológico, que na verdade seria um armamento militar.
Diante da vergonha de falhar no lançamento do foguete, em comemoração ao aniversário de cem anos do falecido líder Kim Il-sung, analistas internacionais afirmam que o país comunista deve levar adiante o seu terceiro teste nuclear subterrâneo, como uma forma de enfatizar o seu poderio militar. O tema deve ser um dos discutidos por uma aguardada reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, que também deve abordar possíveis punições ao governo norte-coreano.
A expectativa acerca do teste nuclear foi reforçada pela declaração de um veterano ministro sul-coreano, que destacou ainda que outras formas de provocações militares não podem ser descartadas.
O foguete Unha-3 se desintegrou dentro da atmosfera, logo após ser lançado poucos minutos antes. O artifício teria se dividido em duas partes — uma teria caído próximo à Coreia do Sul, outra nas proximidades das Filipinas. A queda foi dentro do oceano e autoridades militares sul-coreanas estão tentando resgatar o artefato, que estaria localizado a aproximadamente 165 km a oeste de Seul.
A análise dos restos do foguete pode levar a uma comprovação ou não das acusações feitas por Estados Unidos e Japão, que acusaram a Coreia do Norte de lançar um míssil disfarçado aos céus. A falha já põe em xeque a liderança de Pyongyang, que tem sob seu comando um dos maiores exércitos do mundo. Em 2009, o país havia sido bem-sucedido no lançamento de um satélite, que seria supostamente semelhante ao que acabou caindo no mar.
O próprio pronunciamento realizado pela rede de televisão estatal norte-coreana para a população de 23 milhões de pessoas pode indicar uma mudança de conduta sob a tutela do atual líder Kim Jong-un.
China pode ter papel importante após falha
A diplomacia chinesa também saiu chamuscada diante do fracasso do lançamento do míssil norte-coreano. Em um curto comunicado, o governo da China pediu “calma” aos diplomatas de outros países, sem mencionar o que está claro nas entrelinhas: as tentativas de dissuadir Pyongyang de realizar o lançamento fracassaram.
Por serem os maiores parceiros políticos e comerciais da Coreia do Norte, os chineses aparecem no centro das atenções quando as tensões com os norte-coreanos crescem no âmbito global.
A reunião de emergência do Conselho de Segurança pode apresentar um bom parecer sobre o grau de preocupação que a China teve para com o então iminente lançamento do foguete, alardeado e temido por várias nações, sobretudo as do Ocidente, além de Coreia do Sul e Japão. Estes dois últimos pedem por severas sanções contra os norte-coreanos após a realização do lançamento do artefato.
De concreto, o que já se sabe é que os governos de Seul e Tóquio estão cientes e fazem questão de divulgar que o terceiro teste nuclear subterrâneo é apenas uma questão de tempo.
Do outro lado repousam perguntas e expectativa sobre como Kim Jong-un vai agir diante de sua primeira grande crise internacional.
Fonte: R7


