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Após deixar liderança do DEM, Demóstenes vira alvo de inquérito

Geral – 28/03/2012 – 09:03

Senador mantém relações suspeitas com empresário preso pela Polícia Federal

A situação do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), uma das principais figuras da oposição no Congresso Nacional, complicou-se muito nesta terça-feira (27).

Acuado por suspeitas sobre suas relações com o empresário Carlinhos Cachoeira, que atua no ramo dos jogos de azar, Demóstenes deixou a liderança do DEM no Senado e será alvo de uma investigação.

Ontem, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, encaminhou ao STF (Supremo Tribunal Federal) um pedido para que seja aberto inquérito para apurar “possíveis condutas ilícitas de pessoas com foro privilegiado” citadas em denúncias recentes no Estado de Goiás.

Demóstenes foi flagrado em cerca de 300 conversas telefônicas com Cachoeira, que foi preso no fim de fevereiro em uma operação da Polícia Federal que desvendou um suposto esquema de exploração de máquinas caça-níqueis.

No início do mês, em pronunciamento no plenário do Senado para se defender, Demóstenes disse que mantinha apenas “conversas triviais” com o empresário.

Ele confirmou ainda ter recebido de Cachoeira, como presentes de casamento, uma geladeira e um fogão importados no ano passado, mas negou que a “gentileza” tenha relação com qualquer irregularidade.

Expulsão

Além dos problemas que poderá ter com a Justiça, Demóstenes já enfrenta constrangimentos dentro de seu próprio partido.

O presidente nacional do DEM, Agripino Maia (RN), que o substituirá na liderança no Senado, já disse que há a possibilidade de expulsar Demóstenes do partido caso fique comprovado que ele faltou com a ética no exercício de suas funções.

Agripino lembrou o caso do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, apontado como pivô de um esquema de pagamento de propina desvendado em 2009 pela operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal.

Arruda, que era um dos maiores expoentes do DEM, deixou a sigla. O presidente do DEM disse que o partido não aceita conviver com a “perda da ética”.

— O DEM tem um conceito, uma história a zelar. Se os fatos forem graves, o partido não hesitará em adotar um posicionamento.

No Congresso, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) afirmou que seu partido irá encaminhar uma representação às comissões de ética da Câmara e do Senado contra os parlamentares suspeitos de envolvimento com Carlinhos Cachoeira.

Fonte: R7 / R7/ABr

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