Operações e flagrantes em diferentes municípios colocaram suspeitas de crimes eleitorais no centro das atenções
A reta final das eleições de 2026 em Mato Grosso do Sul tem sido marcada por investigações e flagrantes relacionados a possíveis irregularidades eleitorais. Em pouco mais de uma semana, ações policiais atingiram políticos e pessoas ligadas à campanha em diferentes municípios, incluindo casos envolvendo suspeitas de compra de votos, apreensão de dinheiro e transporte de material de propaganda.
Diante do cenário, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), desembargador Carlos Eduardo Contar, reforçou a importância da participação consciente dos eleitores e destacou que o voto é secreto.
“Políticos bons ou ruins são frutos de nossas escolhas. Portanto, vote com consciência. O voto é secreto e a sua vontade há de ser respeitada”, afirmou o desembargador, ao desejar uma eleição tranquila e segura no Estado.
DEPUTADO FOI ALVO DE OPERAÇÃO DA POLÍCIA FEDERAL
Um dos casos ocorreu em 25 de setembro, quando o deputado estadual e candidato à reeleição Marcio Fernandes (PL-MS) foi alvo da Operação Jogo Limpo, deflagrada pela Polícia Federal.
A investigação apura possíveis práticas de corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral durante as eleições deste ano. Segundo a PF, as diligências foram motivadas por movimentações financeiras cuja origem e eventual destinação seriam investigadas.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em dois endereços ligados ao parlamentar: a residência e o comitê de campanha, localizado no bairro Chácara Cachoeira, em Campo Grande. Cerca de R$ 260 mil em dinheiro vivo foram apreendidos nas diligências.
O parlamentar havia sido abordado pelos agentes após realizar um saque de R$ 100 mil em uma agência bancária. Em manifestação pública, Marcio Fernandes afirmou que o dinheiro seria utilizado em despesas relacionadas às propriedades rurais e declarou que o valor havia sido retirado de sua conta pessoal.
A Polícia Federal informou que a investigação deverá esclarecer a origem e a possível finalidade dos valores apreendidos.
EX-PRESIDENTE DA CÂMARA É PRESO EM IGUATEMI
Na quarta-feira, 30, outro episódio chamou atenção. José Antônio Pires de Souza, conhecido como “Zé Bocão”, ex-vereador e ex-presidente da Câmara de Mundo Novo, foi preso em flagrante em Iguatemi sob suspeita de compra de votos.
Segundo a ocorrência divulgada, policiais militares abordaram um T-Cross após uma denúncia de que o veículo estaria trafegando em alta velocidade entre Iguatemi e Japorã. Durante a vistoria, foram encontradas mochilas contendo dinheiro em espécie e materiais de campanha.
Um dos pacotes reunia R$ 14 mil em cédulas de R$ 50 e R$ 100. O suspeito teria informado que transportava valores que poderiam chegar a R$ 60 mil ou R$ 100 mil, enquanto a apuração inicial apontou mais de R$ 120 mil no veículo.
Ainda conforme o relato policial, após ser informado de que seria levado à delegacia, “Zé Bocão” teria oferecido R$ 5 mil a cada um dos policiais para evitar a prisão. Ele foi autuado em flagrante. O caso teve novos desdobramentos nesta sexta-feira, 02. Segundo o Midiamax, a Justiça determinou a soltura mediante pagamento de fiança de R$ 32.420.
Também na quarta-feira, três vereadores de Aparecida do Taboado foram abordados pela Polícia Rodoviária Federal na BR-158. Marcelo Jardineiro (PSD), Mauro Sampaio (PSDB) e Jucleber Bim (PL) estavam em um veículo oficial da Câmara Municipal que transportava materiais de propaganda eleitoral de candidatos a deputado estadual.
Os ocupantes afirmaram aos policiais que eram funcionários públicos e que retornavam de Campo Grande, onde haviam cumprido compromissos relacionados ao município.
Os vereadores foram encaminhados para a Delegacia de Polícia Civil, enquanto o material de propaganda foi apreendido e posteriormente encaminhado ao cartório eleitoral. O caso permanece sob investigação.
FISCALIZAÇÃO SEGUE NA RETA FINAL
Os episódios ocorrem justamente nos últimos dias antes da votação, período em que a fiscalização sobre condutas eleitorais ganha maior intensidade.
Entre as práticas que podem resultar em flagrante estão a compra de votos, a chamada boca de urna e outras condutas proibidas pela legislação eleitoral. A Polícia e a Justiça Eleitoral seguem apurando denúncias e ocorrências registradas durante o período eleitoral.
O TRE-MS reforça que o eleitor tem direito ao voto livre e secreto e que eventuais irregularidades devem ser comunicadas às autoridades competentes.


