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quinta-feira, 2 de julho, 2026

Anvisa amplia uso de medicamento raro e abre nova frente contra doença renal grave

Remédio antes indicado para doença rara do sangue passa a ser opção para tratar glomerulonefrite progressiva

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou nesta segunda-feira (19) uma nova indicação terapêutica para o medicamento Empaveli, ampliando o uso do fármaco para além do tratamento de uma doença rara do sangue. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União.

A partir de agora, o remédio também poderá ser utilizado no tratamento da glomerulonefrite membranoproliferativa imunocomplexo primária (GNMP-CI Primária), uma condição renal rara, de origem imunológica e potencialmente progressiva, que pode evoluir para insuficiência renal.

Produzido pelo laboratório Pint Pharma, o Empaveli já tinha autorização no Brasil para o tratamento da hemoglobinúria paroxística noturna (HPN). A ampliação do uso representa um avanço diante das opções limitadas até então disponíveis para pacientes com a forma rara de glomerulonefrite.

A GNMP-CI Primária não tem causa conhecida e ocorre quando o sistema imunológico reage de forma inadequada, levando ao acúmulo de imunocomplexos e componentes do sistema complemento nos glomérulos, estruturas responsáveis pela filtração do sangue nos rins. Esse processo provoca inflamação renal, perda de proteínas pela urina, presença de sangue, síndrome nefrótica e, em casos mais graves, insuficiência renal.

Dados apontam que a doença renal crônica atinge mais de 10 milhões de pessoas no Brasil, com mais de 150 mil pacientes em hemodiálise. As glomerulonefrites correspondem a uma parcela significativa dos casos que evoluem para doença renal em estágio terminal.

A substância ativa do Empaveli, a pegcetacoplana, atua bloqueando a proteína C3 do sistema complemento, mecanismo que ajuda a impedir que o próprio sistema imunológico continue atacando estruturas do organismo, como os glóbulos vermelhos ou os rins. Com isso, o medicamento pode contribuir para retardar a progressão do dano renal.

O tratamento é feito por injeção subcutânea e exige cuidados específicos, como armazenamento refrigerado e vacinação prévia contra infecções graves, especialmente meningocócicas, já que a inibição do sistema complemento reduz a defesa do organismo contra determinados microrganismos.

Segundo a Anvisa, a nova indicação foi aprovada após análise de critérios de qualidade, segurança e eficácia. Apesar do avanço, o órgão ressalta que o medicamento apresenta riscos, incluindo infecções graves e reações alérgicas, o que torna indispensável o acompanhamento médico rigoroso durante o uso.

Com informações Campo Grande News

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