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Advogado de Marcos Valério admite que houve crime eleitoral

Geral – 07/08/2012 – 08:08

O advogado Marcelo Leonardo, que faz a defesa do publicitário Marcos Valério no julgamento do mensalão, afirmou nesta segunda-feira (6) que seu cliente repassou ilegalmente recursos ao PT para o financiamento da campanha eleitoral em 2002, mas negou que o dinheiro tenha sido usado para comprar votos de parlamentares.

“Não há provas para a condenação de que a finalidade dos repasses era para essa prática [de compra de votos]”, disse. “Era sim para o pagamento de campanhas eleitorais, o que é crime eleitoral”, afirmou Leonardo.

Valério é um dos 38 réus do processo e é acusado de formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O advogado tenta convencer os ministros, com base em argumentos jurídicos e citação de provas, de que Valério não cometeu os crimes citados.

Leonardo começou sua sustentação argumentando que não é possível imputar o crime de formação de quadrilha ao seu cliente porque, nas empresas de Valério, não houve associação de pessoas para a prática de crime. Ele disse que a empresa sempre teve atuação lícita, desde o início da década de 80.

O advogado citou um artigo, entregue aos ministros, no qual é afirmado que há “uma banalização da formação de quadrilha pelo Ministério Público”.

Quanto à acusação de corrupção ativa aos quatro partidos políticos citados no caso, a defesa do publicitário alega inocência, dizendo que corrupção ativa se refere à oferta de benefício a servidor público, mas que os partidos não são órgãos públicos.

Sobre a acusação de que a agência de Marcos Valério, SMP&B Comunicação, teria se beneficiado de licitação, Marcelo Leonardo disse que era legal a licitação e que João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, não tinha qualquer influência sobre o contrato, conforme alega a acusação.

“É fruto de criação mental do acusador”, disse Marcelo Leonardo, advogado de Marcos Valério, sobre a acusação de corrupção no contrato publicitário da Câmara.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou em sua denúncia que Valério ofereceu ao PT um esquema de desvio de recursos que já existia em Minas Gerais, em referência ao mensalão mineiro, suposto esquema de arrecadação ilegal para a campanha de Eduardo Azeredo (PSDB-MG) a governador do Estado em 1998.

Ainda segundo o procurador, Valério passou “de mero financiador” do mensalão, a “personagem influente, com o poder para negociar com a base aliada do governo”. “Ele tornou-se homem da mais absoluta confiança de José Dirceu”, afirmou.

Fonte: Midiamax

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