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Administrador tenta adotar criança a 10 anos mas burocracia emperra tudo

07/03/2017 17h03

Já procurou a embaixada de outros países mas não teve êxito

Por: Gil Nei Silva

O tão desejado sonho de ser pai e formar uma nova família parece cada vez mais distante para o administrador e relações públicas Rogério Nunes Matos, 53 anos. Morando em Curitiba há cerca de um ano e meio, ele tem enfrentado dificuldades para dar andamento em seu processo, de pretendente à adoção. Há mais de 10 anos Rogério batalha para conseguir adotar uma criança.

“Estou em Curitiba há mais de um ano, antes morei na Bahia e no Rio de Janeiro. No Rio participei de um processo muito sério, fiz um curso de mais de quatro meses e passei por avaliações, entrevistas com assistentes sociais e psicólogos. Em 2007, recebi no Rio de Janeiro um certificado da Justiça que comprova que estou apto para a adoção. Em 2009, me mudei para Salvador (BA) e, em 2011, para Feira de Santana (BA). Neste período, mesmo com as mudanças, nunca desisti da adoção. Em 2014 obtive uma sentença expedida pelo juiz da comarca de Feira de Santana, após passar com louvor pela avaliação da psicóloga e da assistente social. Com a sentença, fiz minha inscrição no Cadastro Nacional de Adoção (CNA)”, conta.

Mas desde que chegou à capital paranaense, em 2015, não conseguiu avançar com o processo. “Não tenho senha, não sei nada do meu cadastro no CNA. Estive na Vara da Infância de Curitiba e não consegui nenhuma informação. Não consigo nem mesmo informar meu novo endereço e telefone. Me falaram até que terei que refazer os cursos, que os que fiz não servem. Mas já sou habilitado e sei que a lei é nacional e o cadastro também. O problema é que a coisa toda é muito burocrática. O que me deixa furioso é o desrespeito à lei nacional de adoção e o fato de que cada comarca age segundo seus princípios”.

Apesar dos obstáculos, a vontade de ter um filho é tão grande que fez Rogério abrir mão de suas exigências e restrições. “Inicialmente gostaria de adotar um menino de até três anos, branco ou moreno. Mas já abri todos os leques. Posso adotar dois irmãos, uma criança maior ou, até mesmo, irmãos gêmeos, meninos ou meninas. Devido às dificuldades, cheguei até a procurar as embaixadas da Jordânia e da Síria para me candidatar à adoção de uma criança refugiada. Mas fui informado por eles que os muçulmanos não permitem que as crianças sejam adotadas. Segundo as tradições destes países, elas só podem viver com suas famílias e têm que permanecer mulçumanas, sem poderem mudar de nome, sobrenome ou religião”, diz.

A Vara de Infância e a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Paraná não se pronunciaram sobre o caso de Rogério.

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