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Três Lagoas
quinta-feira, 28 de outubro, 2021

A importância de se amar

A busca pelo corpo “ideal” é um tema de grande destaque na sociedade, a pressão estética vem adoecendo muitas pessoas e não gostar da imagem refletida no espelho é algo que se tornou normal para muitas pessoas.

A psicóloga Fabiana Ferrari explicou que a imagem idealizada por uma pessoa, é a representação daquilo que ela julga ser perfeita para ela no atual momento em que vive, porem esta imagem rígida construída e idealizada pode trazer uma busca constante de perfeição, provocando sofrimento a essa pessoa.

Fabiana explica que os padrões de beleza mostrados na mídia também podem acionar gatilhos da fragilidade individual humana por não se sentirem capazes de alcançar a perfeição apresentada.

Diante desta realidade, o amor próprio se tornou uma revolução e a diversidade é cada dia mais aceita e as pessoas “diferentes” estão se tornando mais confiante, tendo a certeza de que cada detalhe do seu corpo é perfeito e o torna único.

Em Três Lagoas o projeto Linda Plus nasceu com o objetivo de incentivar as mulheres a amarem seus corpos. Inicialmente as ações aconteciam com palestras, reuniões encontros e desfile de moda e hoje o projeto realiza o Miss Plus Size e já enviou representantes para a etapa nacional do concurso.

O projeto foi idealizado pela três-lagoense Lilian Sousa e hoje já possui mais de 2 mil meninas de diversas regiões do país que fazem parte desta corrente de amor próprio e já ajudaram muitas a saírem de quadros de ansiedade e depressão.

A importância de se amar

Em entrevista à Caçula FM, Lilian falou que a ideia do projeto nasceu depois de passar por anos de humilhação, de ouvir piadas pejorativas de desconhecidos quando passava na rua, quando vestia determinados modelos de roupas, entrou em uma depressão profunda e ao ver que tinham outras mulheres vivendo situações parecidas e algumas que pensaram até em suicídio, decidiu virar a chave da sua vida, deixar a tristeza de lado e se tornar um ponto de apoio para centenas de pessoas.

Lilian conta que o seu primeiro ato foi parar de reclamar e ao invés de postar reclamações, decidiu ser luz e compartilhar palavras de superação, carinho e amor.

Além de fomentar o empoderamento feminino, o projeto tem fins sociais, e de acordo com a coordenadora só este ano conseguiram realizar a doação de mil cestas básicas à famílias carentes de Três Lagoas e em parceria com a CUFA (Central Única das Favelas) distribuíram 3 mil chips de celular para famílias que não tinham acesso à internet e tinham crianças que precisavam estudar.

Toda a mulher tem a mistura perfeita entre a força e a doçura, são capazes de vencer desafios e aqueles que a fazem se sentir inferiores, por qualquer motivo que seja, são pessoas vazias e que querem fazer o outro se sentir da mesma forma.

“Eu sou uma mulher empoderada, já passei por muita humilhação, muitos desafios, venci o Covid e estou em pé para contar a minha história” – LILIAN SOUZA

A inserção de modelos plus size na mídia e a criação de linhas de roupas que atendem e valorizam as curvas da “mulher normal” e de acordo com a psicóloga Fabiana Ferrari, esta inserção está sendo benéfica para a desconstrução do corpo perfeito(magro) e contribuindo para que muitas mulheres e homens aceitem o seu corpo e busquem felicidade, bem-estar e qualidade de vida.

Apesar da amplitude que o tema está ganhando, ainda existem pessoas que insistem em fazer “chacota” com o peso das pessoas e a advogada Juliana Alfaia, alerta que a “gordofobia” pode ser considerada um crime e a vítima pode, inclusive, entrar com ação exigindo indenização pelos danos que sofreu.

Juliana disse que a Constituição Federal do Brasil garante que todos tenham direitos iguais, sem qualquer distinção ou discriminação, logo, perante a lei ninguém deveria sofrer qualquer tipo de constrangimento, mas como somente a constituição não é suficiente para coibir atos preconceituosos, discriminatórios e vexatórios existem diversas normas que podem ser aplicadas para que o agressor seja penalizado.

A advogada disse que se, por exemplo, a pessoa for vítima de “gordofobia” no ambiente de trabalho, as ofensas podem ser consideradas “assédio moral”, devendo a vítima realizar denúncia ao RH da empresa, e Ministério Público do Trabalho, se for necessário e não resolvido internamente.

Juliana também falou sobre as ofensas que são proferidas através da internet e para aqueles que ainda pensam que a rede é uma terra sem leis, fique sabendo que existem legislações especificas sobre crimes virtuais e os autores são encontrados e processados.

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