TRÊS LAGOAS (MS) – Desde dezembro de 2019, um novo coronavírus, Síndrome Respiratória Aguda Grave Coronavírus 2 (SARS-CoV-2), surgiu em Wuhan, província de Hubei, China. Com avançar das pesquisas foram sendo observadas suas características epidemiológicas e clínicas e, inclusive o seu impacto neurológico, em pacientes recuperados.
Aproximadamente 85% dos pacientes estudados tinham pelo menos quatro sintomas neurológicos – os mais comuns eram confusão mental, dores de cabeça e dormência ou formigamento. Outros sintomas comuns incluem perda de paladar e/ou olfato, visão turva, tontura e zumbido nos ouvidos. Graham e colaboradores (2021) observaram que muitos dos pacientes descreveram esses sintomas como idas e vindas, e a maioria relatou que seus sintomas duraram vários meses – alguns por até nove meses
Outra queixa frequente em pacientes recuperados após duas a três semanas da infecção com a COVID-19 são as alterações cognitivas. Para avaliar o funcionamento cognitivo a Avaliação Neuropsicológica online foi realizada para minimizar o contato entre a equipe de saúde e os pacientes com COVID-19 (Zhou et.al, 2020). Os testes avaliaram atenção, memória, funcionamento executivo, velocidade de processamento da informação, processamento visuoespacial e função psicomotora.
Os principais achados sobre a cognição foram que os pacientes com COVID-19 exibiram disfunção cognitiva no domínio de atenção sustentada. “Sabemos que a atenção é o primeiro estágio para uma boa memorização de informações recém aprendidas“, diz a neuropsicóloga Dra. Gislaine Gil. Logo, se a pessoa não consegue ficar por um longo período de tempo atenta ao que está sendo dito, a informação não entra no cérebro e, consequentemente, não é evocada após a passagem do tempo, pois nem ao menos foi codificada, acrescenta a Dra. Gislaine Gil.
- E a longo prazo, será que essas alterações permanecem?
“É o que devemos acompanhar, através de estudos longitudinais bem desenhados na área de cognição para avaliar a influência a longo prazo da infecção por SARS-CoV-2 na função cognitiva”, diz a neuropsicóloga.


