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A atitude de cada um é fundamental para o resgate de valores

Geral – 21/05/2013 – 14:05

As virtudes morais são responsáveis por guiar a conduta do ser humano. Antes de Cristo, os filósofos já falavam sobre o assunto em seus escritos, mas foi Platão quem defendeu que quatro virtudes principais caracterizam a essência humana: a prudência, a coragem, a temperança e a justiça. “Estas são as chamadas virtudes cardeais, aquelas que todo homem deveria possuir”, afirma o filósofo e professor Marco Zingano, autor do livro “As Virtudes Morais” (Editora Martins Fontes). 

No sentido clássico, prudência significa sabedoria para escolher os melhores meios para chegar ao objetivo final. Já a coragem é a ação diante do perigo, enquanto a temperança é a capacidade de refrear os próprios desejos, inclusive os sexuais. A justiça, por fim, se relaciona com a ideia de dar a cada um o que lhe pertence.  Apesar do significado de alguns destes valores ter mudado um pouco ao longo do tempo, as quatro qualidades morais descritas por Platão ainda funcionam como boas referências para orientar o comportamento no dia a dia. “A maneira de agir vai depender das circunstâncias em que as pessoas se encontram, mas fundamentado nestas virtudes é possível tomar boas decisões”, acredita Zingano. 

 

A prudência, hoje, está mais relacionada com o senso da realidade, com a ideia de dar um passo após o outro, pesar as consequências e considerar os limites que certas situações e pessoas nos impõem e que não devem ser ultrapassados. A coragem é exatamente o contrário: é agir independentemente do medo. Sozinhas, estas duas virtudes podem não ser tão eficientes, mas juntas elas se complementam. “Só prudência resulta na estagnação, enquanto a coragem pode mergulhar a gente na loucura. A primeira é responsável por nos fazer puxar o freio e perceber obstáculos que às vezes a coragem não nos deixa enxergar”, explica Jorge Claudio Ribeiro, também filósofo e professor. 

 

A justiça continua com o mesmo sentido desde os primórdios e é uma das virtudes mais valorizadas. “O instrumento da justiça é a lei, perante a qual todo mundo é igual. O juiz justo é aquele que sabe aplicar com prudência e coragem esta lei, sem favorecer quem tem qualquer tipo de privilégio”, define Ribeiro. Mas, para ele, a temperança é o valor do momento. “Hoje em dia, não se exceder em nada não é só uma virtude, mas também uma necessidade, uma urgência”, defende. Isso porque vivemos em um tempo em que o consumo dita as regras e muitas pessoas abrem mão de seus valores, ou do ser, apenas para ter e se obrigam a ter cada vez mais. “Sem a temperança, é quase impossível sair deste ciclo”, pondera. 

 

A responsabilidade é individual 

A necessidade de se pautar por valores essenciais sempre foi característica da humanidade. O que mudou é que hoje tomamos como referência não tanto o que se prega, mas o que se percebe e é por meio das atitudes que ensinamos as virtudes aos que convivem conosco. “O exemplo é fundamental. Se você vive de acordo com aquilo que prega e cobra da sociedade, provoca mudanças importantes”, garante Ribeiro.   

 

Mesmo fazendo parte de uma sociedade que atravessa uma crise de valores, o aperfeiçoamento das virtudes segue como uma responsabilidade individual. “A doutrina moral não depende de posições políticas. O fato de a gente viver numa sociedade injusta não nos desobriga de ter atitudes pessoais justas”, opina Zingano. Nessa lógica, só a mudança individual é que conduzirá à mudança do todo. “Só uma sociedade que tem agentes justos pode se tornar justa”, acrescenta. 

 

Na tentativa de resgatar valores importantes para a vida, o contato com a espiritualidade e os ensinamentos trazidos pelas religiões podem dar sua contribuição, mas não há uma relação tão direta entre um elemento e outro. “Na prática, o que caracteriza os atos morais é o altruísmo, é você reconhecer o outro como um sujeito que merece tanta atenção e respeito quanto você mesmo”, finaliza Zingano.

Fonte: Uol

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