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Programa do TJ-MS quer atender agressores para evitar reincidências

Um das maiores desafios dos profissionais que lidam com o tema é desconstruir a chamada ‘cultura do machismo’ na sociedade.

15/09/2018 10h35
Por: Laís Eger Penha / Por Midiamax

Mato Grosso do Sul é um dos estados com o maior índice de violência contra a mulher no país, no último levantamento do Mapa da Violência, divulgada em 2015, ficou em 6º lugar no ranking de homicídios de mulheres. Especialistas no assunto concordam que reduzir esse índice passa, necessariamente, pelo atendimento aos agressores. Um das maiores desafios dos profissionais que lidam com o tema é desconstruir a chamada ‘cultura do machismo’ na sociedade.

Para se ter uma ideia do alcance do problema, somente neste ano foram registrados 12.452 novos casos de violência doméstica, e deferidas 5.970 medidas protetivas no estado. Todos os dias, a 3ª Vara de Violência Doméstica, que funciona na Casa da Mulher Brasileira, recebe em média 20 pedidos de medidas protetivas.

Para mudar essa realidade, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul criou, em novembro do ano passado, o Grupo Reflexivo “Dialogando Igualdades”. O programa, ligado à Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica, tem como objetivo quebrar o ciclo da violência.

E isso é feito por meio de muito diálogo. Segundo Sandra Regina Monteiro Salles, psicóloga e uma das responsáveis pelo projeto, o grupo é uma iniciativa reflexiva e visa desconstruir a violência contra mulher com os homens agressores.

“É um grupo reflexivo, psicopedagógico e de responsabilização, ele tem esse viés de poder trabalhar temas, a desconstrução da violência nesse aspecto cultural, sempre focada na violência doméstica, na violência de gênero”, explica Sandra.

O grupo foi iniciado pela juíza da 3ª Vara e coordenadora da Coordenadoria da Mulher, Jacqueline Machado, e nasceu como uma tentativa de evitar a reincidência desses casos, como uma forma de romper com o ciclo da violência doméstica.

“Existia a necessidade de também trabalhar com esses autores de violência para que eles pudessem rever a situação em que estavam inseridos, a repetição desses comportamentos, numa tentativa de evitar a reincidência”, conta Sandra sobre a criação do projeto.

Os grupos funcionam com reuniões semanais e têm durabilidade, em média, de quatro meses. Os homens participam por determinação judicial, o que gera uma certa resistência, a princípio, mas a psicóloga conta que, com o passar do tempo, eles começam a se abrir e a participar mais, contando suas experiências.

“De uma forma geral eles estão sendo participativos, conseguem trazer e falar da situação, estamos conseguindo trabalhar de alguma forma” relata a psicóloga sobre os encontros.

O programa está em fase de implantação também na cidade de Paranaíba, distante 413 quilômetros da Capital, através de uma parceria com a UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) e com a comarca local.

Os responsáveis fizeram uma capacitação com os formadores e agora estão em processo de construção do grupo.

Devido ao curto tempo de vida do projeto em Campo Grande, ainda não existem dados sobre a reincidência dos agressores, mas experiências positivas em outros estados geram a expectativa de que esse índice seja reduzido.

“É um grupo de responsabilização, mas quando você pensa na ideia de evitar a reincidência, também tem um caráter preventivo” ressalta a psicóloga.

De acordo com a responsável, o ciclo da violência muitas vezes está inserido dentro dos relacionamentos, e desconstruir isso é fundamental para quebrá-lo.

Brasil

De janeiro a junho de 2018, a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, o Ligue 180, registrou 34 mil casos de violência física no Brasil, isso equivale a cerca de 188 casos documentados diariamente.

Mas o cenário da violência contra a mulher é ainda mais amplo, a pesquisa DataSenado divulgada em junho de 2017 ouviu brasileiras em todo país a respeito da violência contra mulher, e traça um panorama dessa realidade nos últimos 12 anos.

O índice de mulheres que relatam ter sofrido violência permaneceu estável de 2005 a 2015, mas em 2017 os dados cresceram, a porcentagem de mulheres que afirmam já ter sofrido violência doméstica ou familiar saltou de 18% para 29%, dessas mulheres, 67% afirma ser vítima de algum tipo de violência física. Entretanto os resultados não param por aí, 71% das entrevistadas conhecem alguma mulher que já foi vítima de violência.

Como conseguir ajuda

Em todo território brasileiro é possível denunciar casos de violência contra mulher através do “Ligue 180”, que é uma Central de Atendimento à Mulher.

O canal funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. Nele é possível conseguir orientações, esclarecer dúvidas e até mesmo registrar denúncias de agressões, tudo de forma sigilosa e segura.

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