06/03/2018 11h09
Depois das prisões por tráfico de drogas, aparecem pontuados crimes de homicídio, roubo e outros
Por: Da Redação
Segundo informações divulgadas pela Secretaria Estadual de Políticas Públicas para as Mulheres, das mais de 1000 mulheres reclusas nas unidades prisionais de Mato Grosso do Sul, cerca de 90% foram presas por tráfico de drogas. Destas, a maioria aliciadas por companheiros ou ex-companheiros. São as chamadas ‘mulas’.
“É muito raro casos de mulheres que entraram para o mundo do tráfico de drogas porque quiseram. Algumas foram motivadas pelo desespero de não conseguir um espaço no mercado de trabalho, associado à pobreza. Por isso, viram nisso a única alternativa para ter dinheiro rápido. No entanto, na grande maioria dos casos elas foram iludidas pelos companheiros”, explica a secretária Luciana Azambuja.
A secretária esclarece que na maioria das vezes o vínculo afetivo é a arma usada por homens na hora de aliciar as companheiras no mundo do crime. São relacionamentos abusivos onde o amor é colocado em xeque e a prática criminosa a condição estabelecida para que o amor seja provado.
“É a velha história da prova de amor que sempre se repete. Eles convencem as companheiras a levar a droga dizendo que depois vão ficar juntos, desenham toda uma história com final feliz e boas condições financeiras, mas se a mulher acaba presa ela nem ao menos recebe visita”, revela.
A prova disso, conforme Luciana, são os domingos de visita nos presídios. “Nos masculinos os visitantes são os mais variados integrantes das famílias, já na penitenciária feminina quem visita é basicamente as mães das presas. É somente aí, quando já é tarde demais, que essas mulheres se dão conta de que optaram pelo pior caminho”, revela.
Dados da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) revelam que o total de mulheres presas em Mato Grosso do Sul é de 1054, quando a capacidade das unidades é de 871. Ou seja, atualmente os presídios femininos operam com quase duzentas internas a mais do que suportam.
Do total, 56% não concluíram o ensino fundamental, 13% terminaram apenas o ensino fundamental e somente 9% concluíram o ensino médio. Dados que, em tese, comprovam a dificuldade dessas mulheres em se enquadrar no mercado de trabalho e ter bons salários.
As faixas etárias de 18 a 24 anos e de 35 a 45 anos lideram o ranking empatadas com 26% do total de internas. Em segundo lugar com 19% do total aparecem as presas com faixa etária entre 25 e 29 anos. Depois das prisões por tráfico de drogas que lideram com folga a lista dos tipos de crimes cometidos pelas presas no Estado, aparecem pontuados crimes de homicídio, roubo e outros.
Levantamento feito pelo Depen (Departamento Penitenciário Nacional) em 2015, revelou que Mato Grosso do Sul é o único Estado que não possui internas em unidades mistas, tendo presídios exclusivamente femininos. Conforme o Depen o Estado também possui proporcionalmente o maior número de presídios femininos do País.
As unidades estão nas cidades de Campo Grande, Corumbá, São Gabriel do Oeste, Três Lagoas, Rio Brilhante Dourados, Ponta Porã e Jateí.
“É preciso que as mulheres peçam ajuda e entendam que o crime não compensa. Pode até parecer repetitivo dizer isso, mas independente da oferta de dinheiro fácil e vida de luxo, isso vai afastá-la da família, filhos e a privar do bem maior que é a liberdade. É preciso pensar muitas vezes antes de ceder a um assédio, ao aliciamento” finaliza Luciana.
Por: Midiamax



