11/07/2017 11h35
Conforme a polícia, criança chegou sem vida para Pronto Atendimento. O irmão, de 5 anos, também apresentava sinais de violência
Por: G1
Uma criança de 3 anos de idade morreu na madrugada desta terça-feira (11) por suspeita de espancamento, conforme informações da Polícia Civil. O caso foi registrado em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul.
Conforme o delegado plantonista Márcio Giovane Schneider, por volta da 0h a mãe da criança, o padrasto e um vizinho levaram a menina até o Pronto Atendimento (PA) do bairro Patronato. A criança chegou ao local já sem vida, e a Brigada Militar e Polícia Civil foram acionadas pelas equipes de saúde.
Ainda segundo o delegado, no início da ocorrência o padrasto da criança relatou que a menina se acidentou ao cair em um buraco de uma obra na casa da família entre domingo (9) e segunda-feira (10). Entretanto, a menina só foi levada para o Pronto Atendimento na madrugada desta segunda-feira após ser encontrada passando mal.
“Lesões muito fortes”, diz delegado
Ao irem até a residência, no bairro Nova Santa Marta, os vizinhos estavam em estado de revolta e relataram à polícia que a criança sofreu “muitas agressões”, conforme o delegado. Em seguida, foi dado voz de prisão ao padrasto e à mãe da criança, ambos de 20 anos, que foram levados para delegacia. No local, os dois permaneceram em silêncio.
O delegado observa que a menina apresentava uma série de ferimentos no rosto, tórax e nas costas. “Havia muitos ferimentos não cortantes. Eram lesões muito fortes.” O corpo dela foi levado para o Departamento Médico Legal (DML) e agora vai passar por uma perícia.
O irmão da menina, de 5 anos de idade, também vivia na casa, e apresentava sinais de agressão. Em seguida, ele foi levado para ficar sob os cuidados de um tio.
Conforme o delegado, o casal foi preso em flagrante por homicídio. Schneider já ouviu policiais que foram até a residência e vizinhos. Agora o caso vai ser encaminhado para a Delegacia de Homicídios.
O padrasto namorava a mulher há cerca de um mês. Já o pai biológico das duas crianças está preso. A mãe vai ser encaminhada para o Presídio Regional de Santa Maria e o padrasto para a Penitenciária Estadual de Santa Maria.
“Passavam brigando”, diz tio de crianças
Ainda muito abalada com o que aconteceu, a avó materna, que não quis se identificar, lamentou a morte da menina. “O que uma criança de 2 anos vai se defender, com qual força?”
O tio das crianças conta que as brigas eram frequentes na casa. “Passavam brigando, as crianças andavam na rua pedindo para os vizinhos aí. Ele acho que judiava das crianças, dava-lhe pau e eles deixavam o som alto para ninguém ver.”
O menino também foi ouvido pela polícia e contou que apanhava bastante. A criança mostrou diversos hematomas pelo corpo, principalmente nos braços e na barriga.
Contrapontos
A RBS TV procurou a advogada do padrasto que preferiu não se manifestar sobre o caso. A mãe da menina ainda não tem advogado.
Conforme o secretário de Desenvolvimento Social de Santa Maria, João Chaves, a menina não era acompanhada pelo Conselho Tutelar, pois não havia registro dela no órgão.
Ainda de acordo com o secretário, o Conselho Tutelar fazia o acompanhamento apenas do irmão da menina. A escolha ao qual ele era matriculado solicitou o apoio do conselho, pois ele estava faltando aulas. Segundo João Chaves, uma das conselheiras chegou a visitar o menino, na casa da avó, que era com quem ele morava. A avó teria dito que não sabia do paradeiro da mãe e da criança.
Assim, o acompanhamento feito pelo Conselho Tutelar era do menino e da avó, em função da falta de aulas e não por agressão. Ainda conforme o secretário, o Conselho Tutelar chegou a notificar a mãe da criança, para que ela comparecesse ao órgão para conversar a respeito da situação do menino, mas ela não apareceu.
Ainda segundo o secretário, o órgão não tinha conhecimento sobre a menina de 3 anos e a mãe das crianças.



