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quinta-feira, 2 de julho, 2026

“A matança de mulheres, e as constantes agressões pelo simples fato de serem mulheres”

26/06/2017 14h41

Aonde vamos parar com tanta violência? “A matança de mulheres, e as constantes agressões pelo simples fato de serem mulheres”

Por: Rayani Santa Cruz

Em meio a tantas ocorrências de violência doméstica e homicídios no município, as três-lagoenses sentem na pele o medo e a empatia pelas mulheres que sofrem com as agressões físicas e psicológicas.

As histórias são praticamente as mesmas, mudando os personagens e algumas vezes os desfechos. Nos últimos 7 dias, quatro pessoas morreram em razão do comportamento abusivo e da dificuldade em aceitar o fim de um relacionamento.

Na quarta-feira (21) passada, uma família inteira sofreu com a não aceitação de Alex Martins (29) em um relacionamento perturbado que mantinha com uma adolescente de 15 anos. Ele que permaneceu em um namoro com a menor desde que a mesma tinha 12 anos de idade, a impunha suas vontades e quando era questionado respondia com agressões e espancamentos.

No término da relação ele ainda agrediu a mesma com uma corrente de aço, e teria quebrado um bloco de concreto no rosto do sogro. Não bastando, se deslocou até a casa dos avós da garota e efetuou diversos disparos contra o casal que morreu minutos depois no hospital.

Seguido a isso, Alex foi abrigado pela família em uma chácara da zona rural da cidade e quando foi localizado pelos investigadores, investiu com disparos de arma de fogo. No confronto o rapaz acabou sendo baleado e vindo a óbito.

Uma das imagens mais associadas à violência doméstica e familiar contra as mulheres é a de um homem, namorado, marido ou ex – que agride a parceira, motivado por um sentimento de posse sobre a vida e as escolhas daquela mulher.

Sentimento esse que é erroneamente romantizado por muitas que ainda aceitam as desculpas esfarrapadas de ações por impulso, por “excesso de cuidados” e o pior vindas com declarações amorosas pós espancamentos.

No caso citado acima, uma família inteira destruída e precisando de apoio psicológico, aliás, duas famílias, já que, por mais que tenha agido de forma extremamente errada, o rapaz ainda tinha pessoas que o amava e que não concordavam com o comportamento do mesmo.

A quarta morte foi registrada neste domingo (25), onde Hevelyn de Abreu Xavier de 24 anos, fora encontrada morta no quarto da residência. O ex-marido, Allan Cesar Santos Moraes (33) como de praxe não aceitava o fim da relação, já havia a agredido por diversas vezes, e acabou tirando a vida da mesma por estrangulamento.

Depois do crime o autor confessou o ato por uma mensagem de voz, enviada via aplicativo para um amigo. Tentando justificar o injustificável Allan disse que a jovem “tinha pisado na bola, e que estava ficando com ele e com outro cara”, ele ainda disse que foi consumido pelo ciúme e perdeu a cabeça.

Como mudar este comportamento?

Infelizmente a cultura machista somada a tentativa de resolução dos problemas com violência seja física ou psicológica ainda imperam em todo o país, Mato Grosso do Sul é o Estado com a maior taxa de casos de violência contra a mulher registrados em atendimentos no SUS- Sistema Único de Saúde.

A cada 10 mil atendimentos feitos pelo sistema público de saúde, 37,4 são de mulheres que foram agredidas. Outra questão é o alto registro de ocorrências no interior do Estado: 76,47% dos casos. Este cenário pode indicar a necessidade de políticas públicas no interior e de uma melhor educação social para as crianças.

A defesa de que um bom comportamento e formação de personalidade de um indivíduo provém do lar, é muito válida, já que em tempos de modernidades e discussões sobre diversos temas, muitos pais, ainda insistem em criar filhos homens como “machos alfa” e despreparados para uma nova realidade em que o respeito mútuo independendo o gênero é de extrema importância.

Dados, divulgados recentemente, mostram que 22% das brasileiras sofreram ofensa verbal no ano passado, um total de 12 milhões de mulheres. Além disso, 10% das mulheres sofreram ameaça de violência física, 8% sofreram ofensa sexual, 4% receberam ameaça com faca ou arma de fogo. E ainda: 3% ou 1,4 milhões de mulheres sofreram espancamento ou tentativa de estrangulamento e 1% levou pelo menos um tiro.

De 2016 até abril deste ano, 43 mulheres foram vítimas de feminicídio em Mato Grosso do Sul. O número representa três mortes por mês, segundo dados da Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública). Os dados mostram que o crime, também definido como “a matança de mulheres por homens, pelo simples fato de serem mulheres”, é cada dia mais comum no Estado, e infelizmente parece estar aumentando em Três Lagoas.

A escola como um ambiente de formação e socialização também precisa acolher essa discussão, ajudando os estudantes a compreender esse tema em toda a sua complexidade e extensão, os transformando em disseminadores do assunto.

“Os valores de respeito a qualquer forma de vida, são essenciais para que o mundo não seja tão infernal”. As estatísticas da impunidade afloram desesperadamente e a sensação de “estarmos sozinhas, sem voz e sem vez” num país cada vez mais dividido se torna constante. Transforma-se em túnel sem luz e sem expectativas de que a justiça seja feita.

Ao final do texto, me pego em três laudas e na dúvida de como finalizar um assunto que não finda-se, um assunto que gera feridas e cicatrizes em tantas mulheres, um problema que todos sabem que existe e que infelizmente poucos agem para tentar melhorar.

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