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quinta-feira, 2 de julho, 2026

Moradores usam cemitério para abandonar gatos em MS

19/06/2017 16h33

No local existem cerca de 100 felinos deixados pelos donos. Animais se dividem em cima de túmulos para fazer refeições levadas por voluntários

Por: G1

Ver um grupo de gatos passeando entre túmulos chama anteção de qualquer um. Mas a história curiosa começa já do lado de fora do Cemitério Municipal Waldomiro Pontes, em Cassilândia, a 437 quilômetros de Campo Grande.

Quem passa em frente ao local, na avenida da Saudade, consegue ver – em forma de pequenos pontos de várias cores – um grande número de felinos passeando ou dormindo no estacionamento. São animais que foram abandonados ali e transformaram o espaço em moradia.

A Secretaria Municipal de Saúde informou ao G1 que não tem um Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) para fazer o acolhimento e reconheceu o risco à saúde pública. Por outro lado, informou que está investindo em um projeto de castração para evitar que os animais procriem e cobrou apoio dos moradores.
Os gatos, cerca de 100, segundo voluntários, circulam livremente. Dormem nos corredores e não se incomodam em cercar o carrinho que transporta caixões durante cortejos.

Segundo o zelador da capela, que fica ao lado do cemitério, o abandono de felinos é muito comum e antigo. “Sempre fazem isso aqui. Deixam gatos de todos os tamanhos e vão embora”, contou.

O descaso é confirmado por uma voluntária. “As pessoas soltam eles doentes e pequenos. Muitos morrem porque não conseguem comer a ração”, explicou Rosilda Camargo.

Os animais que vivem hoje no cemitério de Cassilândia se alimentam de ração e restos de comida recolhidos por moradores comovidos com a situação.

Quando Rosilda chega, os gatos a cercam. Compartilham lugar em cima dos túmulos para disputar a comida que nem sempre é suficiente para todos.

“Nos finais de semana eu trago comida aqui. Tem uma ONG que também ajuda durante a semana. Se não fosse essa ajuda eles passariam fome”, desabafou Rosilda.

O secretário municipal de Saúde de Cassilândia, Arthur Barbosa, explicou que dentro de 40 a 60 dias o município deve fechar uma parceria com clínicas particulares da cidade para castrar os animais e evitar o aumento de felinos.

Ainda segundo Barbosa, a Polícia Militar Ambiental (PMA) até pode multar uma pessoa que abandona gatos no cemitério, mas que o trabalho se torna difícil pelo fato da prática de soltura acontecer normalmente durante a noite.

“Dá sim uma questão de saúde pública devido à proliferação. Mas existe o trabalho da vigilância sanitária. A vigilância tem orientado as pessoas. Só que a gente precisa da compreensão da população”, afirmou.

Animais caminham tranquilamente sobre os túmulos (Foto: Dyego Queiroz/TV Morena)

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