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Jovem é julgada por encorajar namorado a se matar

08/06/2017 10h19

Por: MSN

Ocorreu numa noite do verão de 2014. Conrad Roy, que sofria de depressão havia anos, hesitava se tiraria a própria vida. Enquanto enchia seu carro de monóxido de carbono, a namorada respondeu uma mensagem a respeito: “Volte para dentro do carro. Faça isso logo”. No dia seguinte, as autoridades encontraram o corpo sem vida do jovem dentro do veículo. Ela, que não alertou as autoridades, foi acusada de homicídio culposo. Três anos depois, um tribunal de Massachusetts decide se a jovem receberá punição penal.

Pode uma pessoa ser condenada por homicídio apesar de não estar presente quando a vítima faleceu? As palavras de uma pessoa são suficientes para condená-la por homicídio? Essas são algumas das questões que o polêmico julgamento, que começou nesta terça-feira, levantará durante os próximos dias. Em Massachusetts, auxiliar alguém a suicidar-se não é crime.

A acusação, liderada por Maryclare Flynn, argumentou que Michelle Carter brincou com a vida de seu namorado e a acusou de buscar protagonismo e atenção com a morte dele. Queria ser ‘a namorada do menino que se matou’.

Mas a defesa de Carter alegou que o histórico depressivo de Roy e sua vontade de tirar a própria vida precediam a relação de ambos. O divórcio de seus pais e os abusos de seus familiares tinham-no levado a pesquisar métodos de suicídio no passado, disse o advogado Joseph Cataldo. Carter, depois de ajudá-lo a procurar saídas, limitou-se a apoiá-lo em sua decisão para pôr fim à vida, argumentou Cataldo.

As provas são dezenas de mensagens e chamadas telefônicas nos dias antes da morte de Roy.

“Você estará feliz no céu. A dor terá acabado”, diz uma mensagem de Carter para Roy. “É normal ter medo, está prestes a morrer”, escreveu em outro. Horas antes do suicídio, a namorada repreendeu Roy por querer adiar: “Acho que você não vai fazer, tudo isso para nada… Estou tão confusa, você estava pronto e decidido”.

“Simplesmente vá a algum lugar com seu carro. Não há ninguém na rua a essa hora”, disse a garota antes de Roy dirigir até um estacionamento próximo para se suicidar. Continuou pressionando-o. “Faça e ponto. É o que você queria, é o momento certo e você está pronto”. Quando Carter foi acusada, em 2015, a Justiça considerou que as mensagens “pressionaram” Roy e o contato constante simulou uma “presença virtual” da garota na morte de seu namorado. Apesar de morar perto, os jovens só se viram pessoalmente em poucas ocasiões. Sua relação era baseada em telefonemas e mensagens.

A mãe e a irmã de Roy, que passaram horas com ele horas antes de seu falecimento, afirmaram que não tinha mostrado nenhum sinal de querer morrer. Depois da morte de seu namorado, Carter mandou mensagens às duas familiares expressando condolências, mas não demonstrou ter conhecimento dos planos de Roy.

Michelle Carter com seu advogado, Joseph Cataldo.

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