22/05/2017 15h23
Ele foi citado na delação da JBS
Por: Mídia Max
Cerca de 30 integrantes do Fórum dos Servidores de Mato Grosso do Sul estão, nesta tarde, na PGJ (Procuradoria Geral de Justiça) de Mato Grosso do Sul, onde vão protocolar pedido de investigação das denúncias feitas na delação premiada dos donos das JBS, de que um esquema de emissão de notas frias envolveu empresas, pecuaristas e até o secretário de Fazenda de Mato Grosso do Sul e sustentou o pagamento de propinas a três governadores de Mato Grosso Sul, Zeca do PT (1999/2006), André Puccinelli-PMDB (2006/2014) e Reinaldo Azambuja-PSDB, que assumiu em 2015. Em 18 anos, o valor estimado é de R$ 150 milhões.
O principal pedido é de investigação contra o governador Reinaldo Azambuja, que, segundo capítulo da delação dedicado a Mato Grosso do Sul operava pessoalmente o esquema. De acordo com as informações, o secretário de Fazenda de Reinaldo, Márcio Monteiro, foi um dos pecuaristas usados para emitir notas frias, para que a empresa justificasse o pagamento de valores irregulares.
No nome dele, aparece uma nota fiscal, do dia 19 de dezembro de 2016, no montante de R$ 333.223,80, relativos à compra de bois.
A pasta de Márcio Monteiro é responsável pela arrecadação de ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), tributo que seria a moeda de troca com a JBS para o pagamento de toda essa propina. O acordo, segundo a delação, é que a empresa teria isenção fiscal e, como contrapartida, pagaria os valores irregulares aos chefes do Executivo.
Outro integrante do governo que supostamente vendeu ‘boi de mentira’ para a JBS é Nelson Cintra, ex-prefeito de Porto Murtinho, ex-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul e atualmente no cargo de coordenador de Articulação com os municípios, na Subsecretaria de Relações Institucionais. No nome dele, o valor é de R$ 296.667,00, em 03 de novembro de 2016.
Cintra ficou conhecido no ano passado por ser acusado de assédio sexual por uma funcionária, quando comandava a Fundação de Turismo. Foi tirado do cargo e nomeado na Governadoria.
O terceiro integrante do governo de Reinaldo Azambuja que aparece na lista é Zelito Alves Ribeiro, pecuarista nomeado em fevereiro de 2015 como coordenador regional da Casa Civil. No caso dele, são três notas fiscais, segundo a relação da JBS, somando R$ 1.758.701,00.
A delação também cita propinas que teriam sido recebidas, em esquema igual, pelos governos de André Puccinelli e Zeca do PT. O governador atual e os dois anteriores negam participação em irregularidades.
Pedido de investigação
O MPE (Ministério Público Estadual) ainda não se manifestou sobre o escândalo. A ideia do Fórum de Servidores é que seja aberta uma investigação contra o governo. Também estão surgindo pedidos de impeachment contra Reinaldo Azambuja, na Assembleia Legislativa.
Em relação às afirmações feitas pelos donos da JBS, o STF (Supremo Tribunal Federal) encaminhou ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) pedido de investigação do governador. Segundo decisão recente do Supremo, não é mais necessária autorização das assembleias para que governadores sejam processados, mas o despacho sobre o assunto ainda não tem validade, pois falta sair a publicação oficial do acórdão.



