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O depoimento do atacante que salvou vida do goleiro rival: “não sou herói”

27/02/2017 11h13

Por: UOL

Francis Koné, atacante togolês de 26 anos, ganhou destaque em todo o mundo por um gesto que valeu uma vida. Em jogo do Campeonato Tcheco entre sua equipe, o Slovacko, e o Bohemians 1950 ele impediu o goleiro adversário Martin Berkovec de se sufocar ao desenrolar a sua língua durante uma convulsão.

O momento dramático, que deixou desesperado atletas e torcedores foi encarado com naturalidade por Koné. Em depoimento exclusivo ao UOL Esporte por telefone, o atleta detalhou o resgate e contou outras experiências idênticas que teve em sua carreira.

“Esta foi a quarta vez que aconteceu comigo. Foram duas na África e uma na Tailândia. Para falar a verdade, esta foi uma das fáceis, apesar de todo mundo ter ficado muito assustado.

Eu estava na jogada e quando teve o choque entre o goleiro e o zagueiro foi realmente muito forte. O barulho foi assustador. Todo mundo saiu correndo para ver se o goleiro estava bem. Eu já vi que ele estava inconsciente, sem nenhuma reação, com os olhos virando e a boca ficando dura. Eu fui imediatamente abrir a boca dele para ver como estava a língua.

Nestes momentos de convulsão, a pessoa fica muito forte. Então coloquei as mãos dele sobre o peito e sentei em cima para ele não me atingir. Coloquei ele de lado e comecei a puxar a língua. A boca que estava seca começou a ficar molhada com saliva. Os médicos chegaram e deram sequência ao tratamento.

Não tenho nenhum tipo de curso médico, nem nunca li muito sobre o tema. A minha reação foi em decorrência das minhas experiências mesmo. Na primeira vez que aconteceu, lá na Costa do Marfim, eu fiquei assustado, pois nunca tinha acontecido algo do tipo comigo. Mas fui e consegui ajudar.

Agora, a segunda experiência, também na Costa do Marfim foi a mais perigosa de todas. Estava na capital Abidjan em uma partida amistosa entre jogadores marfinenses e de outras partes do mundo. Em um lance isolado, o atacante do outro time caiu no gramado e bateu a cabeça com violência. Ele apagou na hora e todos acharam que ele estava morto, começaram a chorar e ficar desesperados. Eu saí correndo com tudo e fiz o mesmo procedimento, pois a língua estava bem enrolada. Acho que fiquei uns três, cinco minutos com ele e tudo deu certo, graças a Deus! Por isso eu digo que desta vez foi fácil.

Depois do jogo, eu falei com a minha mãe e ela me disse que talvez Deus tenha reservado isso para mim e que não foi a primeira, nem a última vez que acontecerá algo parecido.

O goleiro escreveu uma mensagem para me agradecer, o pai dele veio falar comigo ainda nos vestiários e muitas pessoas do Bohemians também disseram obrigado.

Mas eu não penso que eu sou um herói. Faz parte do meu trabalho isso. Para mim, como um ser humano é normal ajudar ao outro.

Sempre que eu entro em campo, a primeira coisa que penso é no respeito ao próximo, à camisa que você veste, ao seu oponente e ao fair play. Os três pontos, a bola são apenas coisas materiais. A vida é muito mais importante.

Sei que minha imagem está correndo o mundo, muitos jornalistas estão querendo falar comigo. Mas eu digo: é algo normal. Agradeço a Deus e a Jesus.”

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