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Operação resgata trabalhadores escravos que dormiam com porcos e ratos

30/01/2017 – Atualizado em 30/01/2017

Denúncia também apontou que água do grupo continha fezes de animais

Por: Midia Max

Trabalhadores submetidos a atividades análogas à escravidão foram resgatados de uma fazenda em Bataguassu, distante 335 quilômetros de Campo Grande, após denúncia. No local, eles eram submetidos a trabalhos exaustivos e tinham de ficar em um alojamento sem energia elétrica. O espaço era dividido com galinhas, porcos e ratos. Além disso, a alimentação era precária e há suspeita de que os funcionários bebiam água contaminada com fezes de animais e agrotóxicos.

A operação foi realizada em parceria entre a PRF (Polícia Rodoviária Federal), MPT (Ministério Público do Trabalho) e SRT-MS (Superintendência Regional do Trabalho de Mato Grosso do Sul), no Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, no último sábado (28).

De acordo com o inspetor Kleryson Loureiro, as equipes faziam ação de panfletagem e conscientização no posto 21 em Campo Grande, localizado na BR-163, na saída para Dourados, quando a denúncia foi recebida por meio do número de emergência da PRF.

“Recebemos a denúncia e diante da situação fomos até o local e constatamos que sete pessoas estavam alojadas em situação sub-humanas. Eles foram flagrados em condições análogas à escravidão”, afirma.

Conforme o isnpetor, os trabalhadores faziam extração de raízes e pulverização manual de veneno sem uso de EPI (Equipamento de Proteção Individual). Eles também não tinham acesso a água potável e bebiam água com indícios de contaminação de fezes de animais e agrotóxicos.

“Essa bica vinha de uma nascente onde tinham vezes de animais e indícios de resíduos de agrotóxicos”, relata. Segundo o inspetor, os trabalhadores recebiam diárias equivalente a R$ 70,00, porém, eram descontadas despesas com alimentação e materiais básicos de higiene. Até mesmo papel higiênicos eram deduzidos da remuneração. Todos os produtos usados pelos funcionários eram comercializados pelo empregador.

“Condições sub-humanas. A alimentação era precária, alguns faziam a primeira refeição por volta das 17 horas. Eles tinham de pagar por tudo que usavam até produtos básicos de higiene pessoal”, destaca. Além dos sete trabalhadores, outros quatro funcionários que faziam a manutenção de cerca também foram enquadrados em trabalho análogo à escravidão.

Trabalhadores encontrados no local não são registrados e já estavam empregados há um período entre 10 e 14 meses. A maioria deles é de diferentes regiões do nordeste, interior de São Paulo e de Bataguassu, município onde a fazenda está localizada.

O inspetor observa que condições de trabalho análogos à escravidão devem ser denunciadas à PRF pelo telefone 191; à Polícia Militar pelo 190 e ao Ministério Público do Trabalho por meio do site do órgão. “Essas pessoas normalmente são coagidas e as denúncias precisam ser feitas para que as autoridades competentes possam agir e coibir condições de trabalho análogas à escravidão”, enfatiza.

Após a operação, os trabalhadores foram levados para um hotel e as diárias serão pagas pelo proprietário patrão. O caso está sob investigação e uma audiência deve ser realizada nesta semana pelo MPT.


Aline Machado / Foto: divulgação PRF

https://youtube.com/watch?v=RCu3vBsFuco

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