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Furacões vão piorar com aquecimento do planeta, alertam cientistas

05/10/2016 – Atualizado em 05/10/2016

Previsão é que ciclones se tornem mais destrutivos.

Por: O GLOBO

Grandes ciclones como o furacão Matthew, que já causou nove mortes e os deslocamento de 1,3 milhão de pessoas no Haiti e na República Dominicana, vão se tornar mais intensos com o aquecimento global e o aumento do nível do mar, segundo alerta de cientistas.

O Matthew é considerado o maior nos últimos nove anos no Caribe, atingindo a categoria 4 (numa escala que vai de 1 a 5), e deve chegar ao Sudeste dos Estados Unidos até o fim de semana.

De acordo com cientistas, o furacão que atingiu o Caribe tem as características dos grandes ciclones que deverão se tornar mais comuns com as mudanças climáticas. O fenômeno meteorológico se forma em parte pelo aquecimento do mar, conjugado com tempestades e condições específicas na direção dos ventos. Assim, uma vez que os oceanos têm funcionado como uma espécie de esponja que absorve o excesso de calor acumulado na atmosfera por conta das atividades humanas, funcionam como um “combustível” para a formação de furacões.

Alguns estudos já mostraram que pode haver uma leve diminuição na quantidade de ciclones, mas os eventos mais destrutivos devem se intensificar.

— Devem haver nuances na frequência dos furacões. O mais provável é que os mais intensos irão se multiplicar, mas é ainda incerto o que vai acontecer que os tipos mais fracos e moderados — afirmou ao “The Guardian” James Done, cientista do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas dos Estados Unidos (US National Center for Atmospheric Research). — A mensagem é que os furacões que venham a surgir no futuro, os maiores dentre eles, serão mais fortes. Os de categoria 4 ou 5 podem dobrar ou triplicar em quantidade nas próximas décadas.

Segundo informações divulgadas pela Avaliação Nacional do Clima, do governo americano, a intensidade, frequência e duração dos furacões no Atlântico Norte aumentaram desde a década de 1980. O comitê federal também prevê uma piora no cenário futuro.

— A expectativa é que hajam mais eventos de alta intensidade, nas categorias 4 e 5, que correspondem a 13% do total de furacões mas geram uma quantidade de danos desproporcional. A teoria é robusta e há sinais de que já estamos começando a vê-la na natureza. Pessoas que se mudam para o litoral realmente precisam estar conscientes sobre o aquecimento global — apontou Kerry Emanuel, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), ao “The Guardian”.

Foto: Divulgação

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