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Desembargador sugere que imprensa recebe dinheiro do crime organizado

04/10/2016 – Atualizado em 04/10/2016

Ivan Sartori fez post em sua página no Facebook nesta terça-feira (4). Recentemente, ele absolveu PMs pelas mortes de 77 presos do Carandiru

Por: Marcio Ribeiro com G1

O desembargador Ivan Sartori, que votou pela anulação dos cinco júris do “massacre do Carandiru” e ainda pediu a absolvição dos 74 policiais militares condenados pelos assassinatos de 77 dos 111 detentos encontrados mortos, provocou nova polêmica em sua página pública do Facebook por sugerir que parte da imprensa que acompanhou o julgamento pode ser financiada pelo crime organizado.

No post, o desembargador diz: “Quando a Imprensa é Suspeita. Diante da cobertura tendenciosa da imprensa sobre o caso Carandirú, fico me perguntando se não há dinheiro do crime organizado financiando parte dela, assim como boa parte das autodenominadas organizações de direitos humanos.”

No texto de Sartori no Facebook, ele diz: “Note-se que o voto (decisão) foi mandado para os órgãos de imprensa e ninguém se dignou a comentá-lo em sua inteireza. Estão lá todas as explicações da anulação e tese da absolvição. O processo todo está retratado no voto. Preferem ouvir uma das partes (a procuradora de justiça oficiante), a qual, obviamente, dá a versão do Ministério Público, repita-se, parte no processo.”

O desembargador ainda diz que “A Justiça não pode fazer milagre quando lhe é apresentado um trabalho acusatório absolutamente falho. Que pode algum assassino ter agido ali no meio dos policiais, não se nega. Eu sempre ressalvei isso. Mas, qual é ou são eles? Esse o problema. O Ministério Público não individualizou. Preferiu denunciar de “baciada”, como disse um dos julgadores.”

O G1 procurou a assessoria de imprensa do TJ para que Sartori comentasse a declaração feita no Facebook e também saber o posicionamento do Tribunal de Justiça sobre a declaração de desembargador, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.
Outra polêmica
Sartori usou a mesma página no Facebook recentemente para se posicionar sobre a decisão no julgamento dos PMs, provocou polêmica e a reação dos internautas, com críticas e elogios.

Na última terça-feira (27), ele e mais dois desembargadores da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ-SP) atenderam pedidos das defesas dos policiais e anularam os julgamentos que os haviam condenado a penas que variavam de 96 anos a 264 anos de prisão. De todos os agentes, só um está preso, mas por outros crimes (os assassinatos de seis travestis).

O principal argumento a favor da anulação é que a acusação não individualizou os crimes, apontando os presos que cada agente da Polícia Militar (PM) matou ao entrar na Casa de Detenção para acabar com uma rebelião em 2 de outubro de 1992.

Para Sartori, como não é possível saber quem disparou tiros contra os detentos, todos os PMs devem ser inocentados.

“Não houve massacre. Houve sim uma contenção necessária à imposição da ordem e da disciplina”, disse Sartori durante seu voto no TJ, na terça-feira.

Até esta sexta-feira (30) as pessoas escreviam comentários contrários e favoráveis ao desembargador na página oficial que ele tem na rede social como “Desembargador Ivan R.G. Sartori”. R e G são as abreviassões de Ricardo Garísio.

“Lamentável sua decisão acerca dos policiais do carandiru senhor desembargador, além de injusta, sua decisão incentiva a impunidade policial, a violência institucional e a criminalização da pobreza! A desculpa da não possibilidade de criminalizar individualmente os policiais só demonstra a falta de interesse em um punir um crime hediondo, um massacre!!!”, criticou um homem na página de Sartori na web.

“Parabéns por sua coragem de fazer justiça com os valorosos Policiais Militares que diuturnamente defendem nossa sociedade. O mal do Brasil nesses últimos anos foi valorizar o errado, o criminoso, o ilegal, a bandidagem, por isso chegamos a essa situação calamitosa”, rebateu uma mulher em apoio ao desembargador.

Desembargador Ivan Sartori critica imprensa e sugere, em sua página no Facebook, que parte dela recebe dinheiro do crime organizado (Foto: Reprodução/Facebook)

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