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domingo, 19 de abril, 2026

Refugiados venezuelanos mudam de carreira para arranjar emprego em RR

26/07/2016 – Atualizado em 26/07/2016

Por: Marcio Ribeiro com G1

O agravamento da crise econômica na Venezuela está fazendo com que dezenas de venezuelanos migrem para Roraima. Sem opções de trabalho, muitos deles se veem obrigados a mudar de carreira para arranjar emprego no Brasil e ajudar os familiares que continuam no país fronteiriço ao estado.

“Aqui a minha vida é muito diferente”, define a advogada venezuelana Carol Formaniak, que saiu de Ciudad Bolívar, a quase 1000 KM de Roraima, para viver em Boa Vista. No país natal, ela deixou para trás uma história de luta pelos direitos de crianças e mulheres e agora trabalha como operadora de caixa em um supermercado na zona Norte da capital.

Carol está entre os dezenas de venezuelanos que deixaram o país em busca de uma vida melhor. Conforme dados da Polícia Federal, só nos primeiros sete meses deste ano 493 venezuelanos pediram refúgio no estado. O número é 110% maior que os 234 pedidos recebidos ao longo de todo o ano de 2015.

Especialista em direitos humanos, a venezuelana conta que decidiu vir para o Brasil em outubro de 2015. À época, era diretora executiva de uma instituição voltada aos direitos das mulheres e e ganhava o equivalente a cinco salários mínimos.

“Eu dava palestras em todo o estado, mas guardei todos os meus sonhos porque tenho filho e não queria que nós estivéssemos na Venezuela neste grave momento. A situação lá é muito crítica. Então, deixei minha casa para trás e vim embora para cá no dia 20 de outubro de 2015”, relembra Carol.

Apesar de ser filha de brasileiro e ter dupla nacionalidade, a advogada conta que enfrentou dificuldades para se empregar em Roraima. Inicialmente, ela tentou trabalhar como advogada, mas como não revalidou o diploma no Brasil, se viu obrigada a assumir a função de operadora de caixa.

“Primeiro, eu entregava meu currículo, com todas as especializações, cursos e experiências que tenho, mas depois de dois meses buscando trabalho, comecei a tirar tudo do meu currículo. Fiz isso chorando, mas foi a única maneira que consegui de achar o emprego que estou hoje”, conta.

No atual emprego, Carol ganha um salário mínimo que usa para sustentar a si, ao filho e para ajudar o marido que continua vivendo em Ciudad Bolívar. Mesmo com a formação em nível superior, garante que exerce o mesmo trabalho que as colegas de profissão.

“Não me sinto diferente das outras meninas que trabalham comigo. Não ganho a mais pelo que faço, mas estou em busca de outro trabalho. Eu não me rendo, estou lutando”, garante.

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