27/07/2015 – Atualizado em 27/07/2015
Por: Dourados News
Rivais históricos desde o embate nas urnas em 1996, quando André Puccinelli (PMDB) superou Zeca do PT (PT) na disputa para a prefeitura de Campo Grande por diferença de 411 votos, as duas principais lideranças de seus partidos tem trocado farpas e provocações em Mato Grosso do Sul.
Desta vez, Zeca tem ‘saboreado’ uma espécie de vingança em relação ao peemedebista, nome lembrado constantemente após deflagrada a Operação Lama Asfáltica, no dia 9 de julho, por suposto envolvimento nas ações. Na ocasião, Polícia Federal e outros órgãos de segurança cumpriram mandados de busca e apreensão nas casas do empreiteiro João Amorim e do ex-secretário do governo Puccinelli e ex-deputado federal, Edson Giroto. O esquema, estima-se, ter fraudado milhões aos cofres públicos em favorecimento de vários contratos de licitação feitos pelas empresas de Amorim.
Diante dos fatos, o agora deputado federal tem movimentado sua conta na rede social Facebook com vários ‘lembretes’ apontando para o rival, que o substituiu em 2006 no governo do Estado.
A primeira postagem sobre o assunto apareceu apenas na segunda-feira passada (20), quando Zeca publicou foto de André, o remetendo como um dos principais beneficiários do esquema. “Ex-governador teria recebido propinas e usado a aeronave do empresário JoãoAmorim, dono da Proteco Construções Ltda”, relatou.
Três dias depois, o petista voltou a ‘cutucar’ a gestão PMDB, desta vez, ligando a cassação do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), a um golpe tramado por João Amorim “O Golpe que Campo Grande sofreu foi comandado por um empreiteiro ligado ao PMDB”.
No mesmo dia ele relembrou uma ação a qual entrou junto ao MPE (Ministério Público Estadual) para que se apurasse o possível redirecionamento de licitações de obras, citando também o ex-prefeito da Capital e candidato ao governo no ano passado, Nelsinho Trad (PMDB).
Já na sexta-feira (25), o deputado federal repercutiu denúncia feita pelo MPF (Ministério Público Federal), de que Puccinelli não teria deixado de investir R$ 341 milhões na saúde pública do Estado em 2013.
ANDRÉ SE PRONUNCIA
Também em rede social, o ex-governador se pronunciou em relação as acusações que vem sofrendo. Na postagem, datada do dia 23 de julho André Puccinelli se defende alegando desconhecer os fatos citados, se colocando também à disposição das autoridades para qualquer esclarecimento sobre os fatos.
“A respeito de notícias envolvendo meu nome em investigações em curso, tenho a esclarecer neste momento que: 1 – Não tive acesso ao Inquérito Judicial e não fui notificado para me manifestar, por isso, até agora, não tenho conhecimento de quaisquer dos fatos alegados; 2 – Todas as decisões referentes a compras e contratação de serviços de meu governo foram tomadas com base na Lei e mediante orientação jurídica pertinente, pelas Secretarias de Estado, em suas respectivas áreas; 3 – Sempre estive e continuo à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos, inclusive disponibilizando meus sigilos bancário, fiscal e patrimonial, até porque, como bem afirmado pelo magistrado não há indícios de materialidade que envolvam meu nome”, diz a nota publicada.
RIVAIS HISTÓRICOS
A ‘rivalidade’ entre as partes teve início na eleição municipal de 1996 em Campo Grande. Na época Zeca do PT e André Puccinelli (PMDB) travaram histórico confronto que terminou com vitória do peemedebista no segundo turno do pleito por diferença de apenas 411 votos.
De acordo com o TRE/MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul), o candidato do PT venceu o rival no primeiro turno com 101.657 votos contra 81.217.
Já no segundo turno Puccinelli desbancou Zeca somando 131.124 eleitores diante de 130.713 de Zeca, que polemizou afirmando após a derrota uma suposta fraude no processo eleitoral. Na época, o voto não era contabilizado eletronicamente.
Após o caso, o peemedebista ficou por oito anos comandando a Capital, enquanto o petista foi eleito governador em 1998, saindo após dois mandatos, entregando o poder justamente para Puccinelli.
Os rivais voltaram a se enfrentar na eleição de 2010 para o governo do Estado, com nova vitória de André, que conseguiu a reeleição no primeiro turno. Foram 704.407 votos, contra 534.601 de Zeca.




