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quarta-feira, 1 de julho, 2026

Bebê de cinco dias fica internado com criança com H1N1 e revolta família

23/06/2015 – Atualizado em 23/06/2015

Indignada com a situação, avó do bebê retirou paciente do hospital antes mesmo de receber alta

Por: Correio do Estado

Uma família de Campo Grande está indignada com uma situação que uma mulher de 33 anos e o filho dela, de apenas cinco dias, passaram no Hospital São Infantil São Lucas, no último fim de semana.

João Emanuel Nascimento Marchini foi internado na última sexta-feira (19) com icterícia – presença de uma cor amarelada na pele – e ficou hospitalizado ao lado de uma paciente de 12 anos, que há princípio estava com suspeitas de gripe H1N1. O que ninguém esperava, era que a menina tivesse a doença confirmada

A professora Aparecida Nascimento Marchini relatou ao Portal Correio do Estado que chegou ao Hospital junto com a filha Christiane Nascimento e o neto João, por volta das 13 horas da última sexta. Segundo a avó, antes do atendimento do médico, enfermeiros furaram o braço do menino por 12 vezes e somente às 17h foram assistidos pelo pediatra. Às 18h, o médico o encaminhou a criança e a mãe para um apartamento, o diagnóstico era de icterícia.

“Para começar, meu neto é recém-nascido, tem prioridade, mas ele só foi internado às 18h. Quando chegamos no quarto, que é conjugado, percebemos que ao lado, havia uma menina de 12 anos com muita tosse internada desde a última quinta-feira (18). Nem ligamos, afinal criança sempre tem tosse”, relatou Aparecida.

SÉRIE DE NEGLIGÊNCIAS

Como se trata de um apartamento conjugado, o banheiro era utilizado pelas duas famílias. Aparecida conta que por diversas vezes a paciente com suspeita de H1N1 passou por elas para usar o sanitário e inclusive chegou a vomitar na pia.

A princípio, o menino receberia alta na manhã do último domingo (21), mas o médico plantonista examinou o bebê, já no período da noite e afirmou que só poderia dar a alta na manhã de segunda-feira (22). Ainda na madrugada de segunda-feira, Aparecida conta que houve muita movimentação no quarto da paciente com suspeita de H1N1, e inclusive alarme de máquinas. A professora nem imaginava que o desespero ainda estava por vir.

“As máquinas começaram a apitar, virou um entra e sai de enfermeiro, a madrugada foi bem conturbada. Pela manhã, estava tudo tranquilo e perguntei para onde a menina tinha ido, ou se havia recebido alta, uma médica não quis responder, mas uma enfermeira nos informou que ela havia sido levada ao isolamento, pois havia sido confirmada a doença. Foi um desespero total, minha filha começou a chorar e decidimos sair de lá. Como que colocam um recém-nascido e uma mulher de resguardo ao lado de um paciente com uma doença de alto risco? O hospital foi negligente!”, desabafa Aparecida.

A avó do pequeno João relata, ainda, que antes de saírem do hospital, na segunda-feira, uma idosa com transtornos psiquiátricos foi internada por volta das 10h no mesmo quarto da menina que havia sido retirada para o isolamento.

“Um absurdo, primeiro que era idosa e não poderia estar na ala infantil e segundo que a paciente com H1N1 tinha acabado de ser retirada do quarto. Como se não bastasse, a senhora surtou e invadiu nosso quarto com o nariz ensanguentado. Ela pedia socorro para minha filha e tentou puxá-la pelo braço. Minha filha saiu correndo no corredor e então decidi ligar para o meu marido. Antes de sair, perguntei se minha filha iria precisar de algum exame e disseram que não. Então escrevi uma carta a próprio punho
relatando tudo que eu havia passado no hospital e por terem internado meu neto ao lado de uma paciente com H1N1”, finaliza.

Aparecida que é hipertensa também é classificada de alto risco. Segundo ela, às 20h quando já estavam em casa, o médico ligou no celular da filha, se desculpando da situação e remarcando uma avaliação para mãe e filho que ficaram expostos aos riscos. Christiane saiu resfriada e o pequeno João com tosse e sangramento no umbigo.

ICTERÍCIA

A icterícia, ou popular amarelão, atinge cerca de 60% dos recém-nascidos. Essa disfunção ocorre quando o organismo produz excessivamente a bilirrubina, substância não metabolizada pelo fígado por causa da imaturidade do órgão, e que deixa a pele do bebê amarelada. Na maioria dos casos, a icterícia regride naturalmente e desaparece na primeira semana de vida da criança. Mas caso o amarelão persista, os pais precisam procurar ajuda.

O Portal Correio do Estado entrou em contato com a direção do Hospital Infantil São Lucas, mas até o fechamento da reportagem não obteve respostas. A informação confirmada até agora é de que a direção do hospital tem conhecimento do caso.

João dentro do aparelho de fototerapia - Foto: Arquivo Pessoal

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