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domingo, 28 de junho, 2026

Frederico Valente: “O Meio Ambiente e MS, o Estado das Águas”

03/06/2015 – Atualizado em 03/06/2015

Especialista em Obras Hidráulicas e Engenharia Sanitária

Por: Correio do Estado

A disponibilidade de água doce está diminuindo em todo o mundo, mas vejam que seu volume total não está se reduzindo, uma vez que não há perdas no ciclo de evaporação e precipitação. A “Sua Poluição” é que está causando essa diminuição.

E aí entende-se como “Sua Poluição” todo tipo de agressão ao meio ambiente que inclui desde a redução das matas ciliares, o uso indiscriminado de agrotóxicos e, mais propriamente, o lançamento de esgotos e detritos nos seus cursos. Vejam três exemplos que aqui mesmo em Mato Grosso do Sul a situação também preocupa: o Córrego Guariroba que abastece Campo Grande tem um assoreamento crescente, irresponsável e muito perigoso; em Dourados o Rio Dourados que abastece a cidade está cada vez mais contaminado por agrotóxicos e suas águas podem se tornar impróprias para o abastecimento humano; por último e também em Campo Grande o Córrego Anhanduí já tem suas águas fortemente poluídas pelos esgotos clandestinos e detritos em geral.

Em termos relativos, o Brasil é considerado uma potência econômica mundial quando o assunto é a disponibilidade hídrica, haja vista que o território brasileiro concentra cerca de 11,6% de todas as reservas de água doce existentes no nosso planeta.

Nesse mundo das águas, o Mato Grosso do Sul é enquadrado como riquíssimo em disponibilidade hídrica, com um índice per capita acima de 20.000 m3/hab/ano, o que o torna privilegiado no Brasil. Faz parte de duas das maiores regiões hidrográficas do País que são as do Paraguai e do Paraná, tem a maior planície inundável do mundo que é o Pantanal, e em seu subsolo distribuem-se 8 aquíferos (dados do Plano Estadual de Recursos Hídricos PERH/MS), entre eles o Guarani que está entre os maiores do mundo.

O nosso MS tem também um regime privilegiado de chuvas, pois a precipitação caracteriza-se pela sua homogeneidade, não há nenhum local onde a precipitação acumulada seja deficiente ou apresenta-se com excesso, a precipitação pluvial anual média é da ordem de 1.500mm.

Mas vejam que além de ter água, é preciso tê-la em quantidade e no lugar certo. Em 1976 quando se deram início os estudos para solução da distribuição de água potável para Campo Grande, foram detectados dois grandes problemas: o primeiro é que pelo fato da cidade estar no divisor de água das bacias dos Rios Paraná e Paraguai, não havia nas proximidades da área urbana, nenhum manancial com capacidade para atender a vazão necessária demandada pela população da época e para os dez anos seguintes; o outro, é que mesmo conhecendo a capacidade do Aquífero Guarani e suas características na cidade, obtidas através da perfuração de um poço de pesquisa, não havia tecnologia em bombeamento para se tirar água de poços tubulares em grande quantidade e profundidade, como era o caso desse aquífero aqui na região de Campo Grande. A solução foi buscar água no manancial mais próximo que era o Córrego Guariroba, que estava a uma distância de trinta km e cujas águas precisavam ser elevadas em duzentos metros, ou seja a obra seria dispendiosa e os custos mensais de energia mais ainda. Isso foi feito e o Sistema Guariroba ainda responde por mais de 40% do abastecimento da cidade.

Hoje o problema que urge de uma solução imediata é a redução das águas do Córrego Guariroba por conta de “Sua Poluição” fruto do desmatamento indiscriminado na área de sua bacia e por consequência o assoreamento do seu leito e da represa de captação. Eu diria que Campo Grande não corre risco de desabastecimento porque conta com a reserva do Aquífero Guarani, mas em todos os estudos sobre águas, o que se verifica é que os aquíferos subterrâneos devem sempre ser a reserva e não a fonte principal para suprimento.

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