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Fuzilamento de brasileiro causa sombra na relação do Brasil com a Indonésia, afirma chanceler

18/01/2015 – Atualizado em 18/01/2015

Droga só leva a dois caminhos: prisão ou morte, diz brasileiro condenado a morrer na Indonésia

Por: Marco Eusebio

O brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, foi fuzilado neste sábado na Indonésia, depois de passar mais de uma década no corredor da morte. Condenado em 2004 por tráfico de drogas, ele teve negados os dois pedidos de clemência a que tinha direito. É a primeira vez que um brasileiro condenado à pena capital é executado no exterior.

O ministro das Relações Exteriore, Mauro Vieira, afirmou hoje em coletiva à imprensa que a execução causa uma sombra na relação entre os dois países. O governo determinou que o embaixador em Jacarta, capital da Indonésia, venha ao Brasil para consultas. “Chamar o embaixador para consulta expressa gravidade, um momento do tensão”, explicou o ministro.

O ministro reiterou que foram esgotados todos os recursos para evitar a executação da pena. Em nenhum momento, explicou, foi contestada a gravidade do ato cometido pelo brasileiro. O argumento usado pelo governo é de que não há pena de morte no Brasil.

Vieira disse que toda a assistência foi dada a Marco Archer e que o mesmo está sendo feito com o outro brasileiro que está no corredor da morte na Indonésia, Rodrigo Gularte.

“É um momento muito difícil para mim. Estou sofrendo. Eu sei que eu errei. Eu peço para que as autoridades do Brasil que zelem pelo meu caso”, afirmou em vídeo emocionado divulgado na internet o brasileiro Marco Archer, que foi executado na Indonésia por tráfico internacional de drogas depois de ter sido preso com 13 quilos de cocaína em 2004.

O vídeo feito na terça-feira por um cineasta amigo de Archer foi divulgado na quinta-feira no YouTube.

O brasileiro tem sua execução marcada para a meia-noite deste sábado no horário da Indonésia (15h de Brasília) depois de ter pedidos de clemência do governo Dilma Rousseff negados.

“Estou ciente de que eu cometi um erro gravíssimo, mas eu mereço mais uma chance. Todo mundo erra”, disse.

Archer disse que sonhava em voltar ao Brasil e usar seu exemplo para outros não seguirem o mesmo caminho do tráfico.

“Meu sonho é sair daqui e voltar para o Brasil e expor meu problema para esses jovens que estão pensando em se envolver com drogas, para não cometer esse erro que eu cometi”, afirmou.

“Eu quero voltar para o meu País, pedir perdão a toda minha nação e mostrar para esses jovens que a droga só leva a dois caminhos: ou à prisão ou à morte”, relata. Marco ainda conta que a forma de execução a tiros ocupava sua mente.

“Eu vou lutar até o fim, porque a minha vida realmente não pode acabar desta maneira: de uma maneira dramática, sendo fuzilado aqui na Indonésia”, lamenta o brasileiro.

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