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Condenado por crime que não cometeu ameaça ir pelado até Brasília

17/12/2014 – Atualizado em 17/12/2014

Condenado por crime que não cometeu ameaça ir pelado até Brasília para cobrar reparação

Por: Midiamax

Chegando aos 60 anos, Cícero Leite da Silva vive uma peregrinação por indenização pelo tempo em que ficou preso injustamente. Ele foi condenado pela morte da mulher Maria Ramalho de Oliveira, ocorrida em 1986, no Mato Grosso, e passou sete meses preso. Ficou foragido da Justiça, recorreu da sentença e conseguiu provar que era inocente em um segundo julgamento, em 2004.

Em busca de Justiça, Cícero já recorreu até a quem nem pode ajudá-lo. Ele diz que já mandou cartas contando tudo o que passou até para o papa João Paulo II, para ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e para o ex-ministro da Justiça, Renan Calheiros. Agora, ele ameaça ir a Brasília, pelado, para tentar resolver a situação.

Cícero diz que entrou com uma ação de indenização na Justiça em 2004. O agravo foi julgado procedente em 2011 e até hoje, ele não recebeu a indenização pelo tempo em que ficou preso.

Cícero relembra em lágrimas que foi torturado em uma delegacia de Campo Grande para confessar o assassinato da mulher. “Amarraram com pano, as mãos e os pés com os olhos vendados. Colocaram de ponta cabeça no tambor”.

A tragédia na vida de Cícero começa com a morte da mulher, em 1986. Ela foi morta no Mato Grosso com uma paulada e Cícero foi acusado pelo homicídio e por roubar o dinheiro dela. Ele, que morava em Campo Grande, foi preso e diz que sofreu tortura nos 70 dias que ficou preso na Capital. Depois, ele foi transferido para o presídio de Mato Grosso, onde ficou sete meses preso. Foi julgado e condenado a 16 anos de prisão.

Cícero diz que o advogado dele na época, se aproveitou da situação e que levou o dinheiro dele. Ele recorreu da decisão e em um segundo julgamento, em 2004, foi inocentado e entrou com uma ação contra o estado de Mato Grosso.

Com relação à morte da mulher, Cícero afirma que já estava separado dela, quando aconteceu a morte. Ele acusa um policial que mantinha um relacionamento com ela na época. O homem teria convencido a mulher a vender a casa que ela tinha em Eldorado e assassinado Maria.

Cícero entrou com o pedido de indenização em 2004. Consta no processo que está no STJ (Superior Tribunal de Justiça) que desde 2012, o processo está em conclusão ao Ministro Relator. Cícero questiona a Justiça e todas as injustiças que já passou. Olhando para mãe, aos 86 anos e ainda sem direito à aposentadoria, eles vivem em uma casa humilde. “Não tem dinheiro que pague a dignidade do ser humano”, diz.

Imagem ilustrativa

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