12/12/2014 – Atualizado em 12/12/2014
Por: Thais Dias com informações da Assessoria de Imprensa
O senador Delcídio do Amaral (PT-MS) ocupou na noite desta quinta-feira, 11 de dezembro, a Tribuna do Senado para analisar a atual situação do país. Ele elogiou as escolhas da presidente Dilma Rousseff para a área econômica, defendeu a participação da iniciativa privada nos investimentos em infraestrutura e elencou temas que o governo e o Congresso Nacional deverão priorizar no ano que vem nos setores de petróleo e energia.
Delcídio destacou o nome de Nelson Barbosa para o Ministério do Planejamento e o de Joaquim Levy para a Fazenda, e acrescentou que os novos ministros vão trazer tranquilidade a economia, manter projetos sociais importantes, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida, além de combater a inflação e gerar emprego. Para o senador, os cortes que serão feitos pelo governo no Orçamento dos próximos anos tornam cada vez mais necessários os investimentos privados em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.
“Nós temos que incentivar a iniciativa privada a participar num momento em que o governo vai ter que puxar as rédeas da economia para que a gente tenha efetivamente confiabilidade, credibilidade e traga investidores para ajudar o nosso país. Eu vejo um cenário difícil em 2015 e 2016, mas a presidenta escolheu pessoas muito bem preparadas, competentes , que defendem um modelo de desenvolvimento em consonância com uma política fiscal rígida. Por isso, não tenho dúvida que vamos vencer os desafios”, disse.
Petrobras – O senador lembrou que o Brasil precisa de investimentos e os problemas que a Petrobras enfrenta estão inibindo esses investimentos, situação que precisa ser revertida.
“Acho que o futuro ministro das Minas e Energia terá um trabalho árduo pela a frente. Primeiro, em função do momento que a Petrobras vive. A Petrobras é uma empresa de excelência, construída por brasileiros que dedicaram suas vidas para que ela se tornasse uma das maiores petroleiras do mundo. E se a Petrobras passa por um momento difícil não se pode generalizar por causa de um tratamento incompatível que uma minoria deu à companhia. A Petrobras tem quadros excepcionais e desenvolveu tecnologia de ponta ao longo de sua história. São inegáveis os avanços conquistados. Quanto as irregularidades divulgadas nos últimos meses, a Justiça, com isenção e equilíbrio, vai tomar as providências devidas”, disse.
Delcídio lembrou que a Petrobras movimenta um setor importante da economia, que precisa ser preservado.
“As empresas que prestam serviço à Petrobras não podem quebrar. A despeito de investigações, as obras estão andando e empregam mais de um milhão de pessoas, fora os desdobramentos que o setor de petróleo e gás traz para a economia como um todo, desde o prestador de serviço até o fornecedor de equipamento e o operário que trabalha na obra. Todos os projetos são grandes alavancadores da economia e hoje vemos uma dificuldade grande com os próprios bancos, que estão contra-indicando investimentos nessas empresas. O Brasil consolidou empresas de alta tecnologia, que têm know-how, que são competitivas e operam no mundo inteiro. Por isso precisamos olhar isso com muito cuidado, para que uma investigação legítima e necessária não prejudique o andamento de obras estratégicas para o país”, ponderou.
Pré-sal – Delcídio, que é engenheiro especialista do setor de petróleo, gás e energia, não tem dúvida de que o pré-sal é economicamente viável.
“Eu vejo muita gente falar que o preço do petróleo está caindo. Realmente, isso traz uma preocupação para o caixa da Petrobras. Nós estávamos trabalhando com um horizonte de US$100 o barril e hoje o preço está abaixo de US$70 no mercado internacional. Mas o pré-sal é viável porque o breakeven é US$45, aproximadamente. Portanto, se a gente trabalhar com valores acima de US$45 constatamos que o pré-sal é absolutamente viável”, ressaltou.
Ele, destacou , porém, que a exploração do pré-sal precisa ser rediscutida pelo Congresso Nacional.
“Chegou a hora, até pelo momento que a Petrobras vive, de a gente rediscutir o papel da Petrobras como operadora exclusiva do pré-sal. Será que vale a pena essa exclusividade ? A Petrobras vive um momento de carência de recursos e pelas regras atuais é obrigada a investir 30 % em todos os projetos de exploração do pré-sal, mesmo naqueles em que ela não tem nenhum interesse. Como entrar agora em projetos que talvez não deem um retorno rápido para a companhia? Eu acho que o Congresso, no ano que vem, vai ter que discutir isto. O operador exclusivo é a alma de uma parceria. Será que todas as petroleiras aceitam isso pacificamente? Será que outras empresas que viessem a entrar no pré-sal não gostariam também de ser operadoras exclusivas? Sem dúvida alguma, estes são temas extremamente relevantes , que vão exigir um trabalho grande do futuro ministro de Minas e Energia e dos executivos responsáveis pela Petrobras”, previu.
Setor elétrico – O senador está preocupado também com a situação do setor elétrico.
“Eu posso falar com tranqüilidade porque trabalhei no setor por muitos anos . Em 2004, fui o relator do novo modelo do setor elétrico, que tinha três pilares: a modicidade tarifária, a universalização e o planejamento. Criamos um programa, o Luz para Todos, que democratizou o consumo de energia elétrica no Brasil, talvez um dos programas mais importantes sob o ponto de vista de inclusão social, que funciona muito bem até agora. No ano passado houve a antecipação das concessões, uma iniciativa absolutamente inquestionável, porque à medida em que há a caducidade das concessões, automaticamente a tarifa iria se reduzir em 20%. Mas, por mais procedente que tivesse sido essa medida, nós enfrentamos dificuldades que não se esperavam, ou não se imaginavam à época, entre elas um período de estiagem muito grande, que levou a um despacho térmico intenso e provocou a elevação das tarifas no mercado livre a R$822 o MWh. Isso levou a uma situação econômico-financeira das companhias absolutamente fora daquilo que se previa e está fazendo com que as empresas de distribuição busquem o sistema financeiro para cobrir o seu déficit , o que nos leva a antever nos próximos meses, uma situação muito parecida com a que enfrentamos em 1987 e 1988, onde o setor de energia elétrica foi levado a fazer um grande pacto entre as companhias. Eu entendo que o momento que o setor elétrico vive hoje é extremamente preocupante pelo tamanho que essa dívida está atingindo. Acredito que teremos que repetir esse pacto agora para garantir a liquidez do setor”, sugeriu.
Delcídio destacou que o Brasil não pode viver novos racionamentos de energia.
“Não podemos viver de novo problemas como o que tivemos no racionamento de 2001 . Eu conheço esse assunto muito bem, porque , como diretor de Gás e Energia, trabalhamos intensamente na Petrobrás em um programa que o ministro Tourinho chamou de Programa Prioritário de Termoelétricas. Era um programa de mais de 8 mil megawatts e se considerarmos a potência firme da Usina de Itaipu, é mais do que uma Itaipu. O interessante é que hoje esse programa que criamos lá atrás está salvando a pátria, porque as usinas estão operando a plena carga. Ele foi muito criticado à época. O Ministério Público, a Procuradoria-Geral da República questionaram a aquisição de máquinas da GE, da Alston e da Siemens . Mas as aquisições desse tipo seguem uma precificação internacional. Qualquer pessoa que quiser saber quanto custa uma máquina de 100MW da GE é só entrar na internet e verificar. É claro que os preços variam em função da demanda, o que é natural. Naquela época, essas máquinas estavam extremamente demandadas, porque havia problemas de racionamento em vários países, entre eles os Estados Unidos. Mas a realidade é que esse projeto foi implementado e alguns críticos diziam que eles trariam prejuízos à Petrobras , mas hoje ele são um sucesso, proporcionando lucros cada vez mais crescentes ano a ano, mostrando que um projeto arrojado e não compreendido por muitos hoje é um absolutamente reconhecido. Se não fossem essas usinas, nós , sem dúvida alguma , teríamos problemas de racionamento em algumas regiões do país”, garantiu.



