10/12/2014 – Atualizado em 10/12/2014
Por: Midiamax
O deputado Felipe Orro (PDT) apresentou na Assembleia um projeto para dar o nome de Manoel de Barros ao Aquário do Pantanal. A ideia agradou os deputados, mas a Comissão de Constituição Justiça e Redação (CCJ) da Assembleia achou melhor consultar a família de Manoel de Barros e pode aumentar a coleção de micos da “faraônica” obra do governador André Puccinelli (PMDB).
O presidente da CCJ, Marquinhos Trad (PMDB), explicou que achou por bem consultar a família antes de usar o nome do poeta, morto no mês passado. Agora, caso a família diga não, os deputados terão de rejeitar a proposta.
A discussão na Assembleia aconteceu depois que o deputado Carlos Marun (PMDB) apresentou projeto pedindo para retirar o nome do ex-governador Harry Amorim Costa de um presídio de Dourados. A família sente-se incomodada com a associação do nome do ex-governador a crimes.
Desde que Felipe Orro apresentou o projeto há muita discussão em torno das homenagens propostas na Assembleia Legislativa. Jerson Domingos (PMDB) também apresentou um projeto para dar nome de Manoel de Barros à ponte sobre o Rio Paraguai, mas no calor da discussão na Assembleia, o deputado acabou pedindo para retirar o projeto, alegando que os críticos têm inveja por não poder fazer o mesmo.
A crítica é maior porque o poeta era avesso a fama e raramente concedia entrevista. A vida reclusa do poeta, que valorizava mais as coisas simples, faz admiradores rejeitarem a exposição, que muitos entendem que não agradaria a um dos mais ilustres representantes de Mato Grosso do Sul. Manoel nasceu em Cuiabá, mas viveu maior parte do tempo no Estado.
Pesa ainda mais para as críticas o fato do Aquário do Pantanal ser alvo de inquérito do Ministério Público Estadual (MPE), por denúncia de superfaturamento e críticas sobre a real necessidade da obra, quando o Estado carece de serviços básicos, como saúde e segurança. Os fãs do poeta temem que o nome dele seja relacionado a denúncias do Aquário, tendo como manchete, por exemplo: “Aquário Manoel de Barros é investigado pelo Ministério Público”.
Se a família disser não, Puccinelli passará por mais um constrangimento desde que anunciou a obra que ele chama de “emblemática”. Ele prometeu entregar o Aquário pronto antes do final do mandato, mas a 20 dias do fim, a obra está longe do planejado inicialmente.
As críticas e suspeitas sobre o Aquário são grandes a ponto de o governador eleito, Reinaldo Azambuja (PSDB), recusar-se a tocar a obra sem uma auditoria. Ele já avisou que só vai dar continuidade depois que o Ministério Público terminar todas as investigações sobre denúncias de irregularidade na obra de Puccinelli.
Chamado de “elefante branco” e até de “abacaxi deitado” por deputados e por parte da população, a obra de Puccinelli nem foi concluída, mas já tem mais motivos para envergonhar do que para exaltar o idealizador.



