07/08/2014 – Atualizado em 07/08/2014
Polícia Civil conclui inquérito sobre a fuga do preso avaliado em R$ 100 mil
Caso ganhou repercussão após comparsas do autor de crime de tráfico terem oferecido R$ 100 mil à PMR pela soltura do criminoso
Por: Nova News
A Delegacia Regional de Policia de Nova Andradina concluiu esta semana o Inquérito Policial que apurava a fuga de Murilo da Silva Caruzzo. Ele fugiu da Delegacia de Polícia de Batayporã, na tarde do dia 14 de março deste ano, após realização do banho de sol dos 33 presos que estavam custodiados na citada unidade policial. Atualmente, a Polícia Civil de Batayporã ainda faz a custódia de 27 presos.
Murilo da Silva Caruzzo foi preso em 10 de março de 2014 pela Polícia Militar Rodoviária (PMR), quatro dias antes de fugir. Ele foi surpreendido transportando 93 tabletes de maconha, pesando quase 70 quilos da droga e por isso, foi autuado por tráfico de drogas pela Delegacia de Polícia de Batayporã. Durante sua prisão, os policiais rodoviários teriam recebido uma oferta de R$ 100 mil reais de um comparsa dele para que não o prendessem.
Na oportunidade, Murilo da Silva Caruzzo fazia uso de uma CNH falsa e identificou-se com o nome de “Josemar Ferreira da Silva”. Sua verdadeira identidade só foi descoberta no mês seguinte, precisamente no dia 23 de abril, quando foi preso por uso de documento falso na cidade de Ponta Porã. Na 2ª Delegacia de Polícia da cidade fronteiriça, o fugitivo “Josemar Ferreira da Silva” foi identificado corretamente como Murilo da Silva Caruzzo. O Delegado Regional, André Luiz Novelli Lopes, que presidiu a investigação, esclarece que foi uma fuga incomum, que não deixou vestígios.
A hipótese mais provável é a de que teria fugido após o recolhimento dos presos em suas respectivas celas, após o banho de sol, mas não houve nenhum rompimento de obstáculo. Por isso, salienta o delegado regional a importância do esclarecimento das circunstâncias da fuga, pois, comentários pejorativos com conotação de facilitação ou corrupção por parte de policiais, foram cogitados à época da fuga, hipótese que não foi descartada e também foi investigada. A fuga de Murilo da Silva Caruzzo ocorreu por volta das 17h30, ao anoitecer, depois de permanecer escondido atrás do batente da porta do banheiro situado no pátio da delegacia, onde é tomado o banho de sol.
O fugitivo aproveitou-se da distração dos policiais que faziam a vigilância e o grande número de presos para não retornar à cela, o que deu certo, pois, o pátio não foi verificado após o recolhimento e houve falha na conferência numérica dos presos que saíram e que retornaram às celas, ou seja, a ausência dele passou despercebida aos olhos do policial civil responsável na ocasião.
A investigação deixou claro que não houve qualquer colaboração ou facilitação para que Murilo da Silva Caruzzo fugisse, bem como, a hipótese de corrupção foi totalmente descartada.
Provas como laudo pericial, depoimentos e a própria confissão de Murilo da Silva Caruzzo, que inclusive possui uma cicatriz no braço deixada pelo ferimento provocado pela concertina do muro, comprovam esses fatos.
No entanto, uma falha dos cuidados de segurança durante os procedimentos de soltura e recolocação dos presos nas respectivas celas restou evidenciada. O delegado regional acrescenta ainda que a unidade não possui instalações físicas, nem funcionais para suportar a custódia de tantos presos e isso contribui para fatos dessa natureza.
Na opinião de Novelli, a vinda da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (AGEPEN) para a região de Nova Andradina é importante e desobriga a Polícia Civil dessa atribuição e a transfere para uma instituição preparada e treinada especificamente para esta missão. (As informações são da Delegacia Regional da Polícia Civil).



