09/06/2014 – Atualizado em 09/06/2014
Exoesqueleto liderado por brasileiro pode ser a estrela principal na abertura da Copa do Mundo
Por: R7.com
A abertura da Copa do Mundo será um momento especial para todo o Brasil. A torcida da comunidade científica brasileira deve ser maior pela demonstração do projeto Andar de Novo, que acontece momentos antes de a bola rolar. O time do cientista Miguel Nicolelis promete fazer um paraplégico se levantar de sua cadeira de rodas e dar o chute inicial da partida entre Brasil e Croácia, em São Paulo.
O neurocientista brasileiro que trabalha na Universidade de Duke, nos Estados Unidos, vem fazendo testes com pacientes em São Paulo. A ideia do Andar de Novo é ambiciosa e pode colocar o Brasil na ponta da tecnologia aplicada à saúde.
Entenda como funciona o exoesqueleto
Em vídeo divulgado pelo Portal da Copa, do governo federal, o cientista explica seu projeto.
— O nosso objetivo é criar novas tecnologias assistidas que possam restabelecer de uma forma significativa o controle motor em pacientes que sofram com lesões da medula espinal e outras doenças neurológicas que geram um grau de paralisia muito severo.
Em entrevista à BBC, Nicolelis afirma que o plano inicial é que, com ajuda de um exoesqueleto, uma pessoa paraplégica se levante de sua cadeira de rodas e dê o chute inicial da Copa do Mundo do Brasil. Entretanto, na mesma entrevista, o cientista não confirma se será feita essa demonstração.
— Esse era o plano original. Mas nem eu posso falar sobre detalhes específicos de como será esta demonstração. Tudo está sendo discutido neste momento. Começamos treinando em um ambiente virtual com simulador. Nos primeiros dias, quatro pacientes usaram o exoesqueleto para dar seus primeiros passos e um deles usou o controle mental para chutar uma bola. Agora aumentamos nossas metas. O exoesqueleto está sendo controlado por atividade cerebral e está enviando sinais de retorno para o paciente.
Interface homem-máquina
Cientistas consultados pela reportagem do R7 comentam que o projeto de Nicolelis não é o único nessa área, trajes como o ReWalk e o HAL são outros tipos de exoesqueleto que trabalham com o mesmo objetivo do Andar de Novo. Doutor em neurociência e diretor do Centro de Pesquisa Biomédica da Universidade de Victoria (Canadá), Paul Zehr, elogia o projeto do cientistas brasileiro.
O neurocientista canadense afirma que o time de Nicolelis está liderando o lado técnico dessa área de pesquisa, mas coloca o grupo da Universidade de Pittsburgh, chefiado por Andy Schwartz, na frente quando o assunto é a aplicação direta em seres humanos.
— O grupo de Pittsburgh mudou de forma muito eficaz para os testes em humanos e, embora não ao nível do exoesqueleto de corpo inteiro, têm alcançado grande sucesso com próteses neurorrobóticas.



