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Família aguarda há três dias liberação de corpo de bebê morto

16/04/2014 – Atualizado em 16/04/2014

Família aguarda há três dias a liberação de corpo de bebê morto

Há uma suspeita de que um erro do hospital causou a morte

Por: Dourados News

Depois de cinco dias de bebê ter morrido ‘misteriosamente’ no Hospital Regional, em Campo Grande, a família aguarda há 3 dias a liberação do corpo pelo Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) para o sepultamento.

De acordo com o laudo da autopsia do hospital, a causa morte seria embolia pulmonar, mas a família e a Associação das Vítimas de Erro Médicos de Mato Grosso do Sul (Avem-MS) discordam e desconfiam que o recém-nascido teria se afogado com leite, o que resulta em erro médico.

Segundo o pai, Júlio César Ramires dos Santos, de 37 anos, vigilante, a esposa era hipertensa e se internou no hospital devido a pressão arterial, que estava muito alta. Conforme o pai, o parto seria feito assim que normalizasse a pressão arterial da esposa.

O vigilante contou que a esposa, Liane Botelho de Moura, de 36 anos, ficou mais de dez horas aguardando em uma maca sem comer ou beber. “Ela chegou às 12h30 e só às 10h54 que ela foi atendida sem darem comida ou água. Minha esposa esperando enquanto outras gestantes que chegavam depois passavam em sua frente, isso é um absurdo”, relembra.

O pai disse que após o parto a esposa, ainda sob efeito da anestesia da cirurgia, teve de amamentar o bebê. “Logo depois do parto levaram meu filho para minha esposa, e mesmo com efeito da anestesia a enfermeira levou o bebê para dar de mamar”, ressalta.

Júlio César ainda disse que a enfermeira deixou Liane sozinha com a criança e que a maca em que estava não tinha nem proteção lateral ou berço para acomodar a criança. “Como que uma pessoa sem condições pode ser deixada sozinha para amamentar o bebê e sem nenhum equipamento de segurança”, relata.

O pai alega que foi imprudência tanto da enfermeira como dos médicos. A enfermeira depois de deixar o recém-nascido para amamentar retornou meia hora depois e levou a criança já morta. “Deixaram minha esposa sozinha com meu filho e sob efeito anestésico e depois dizem que ele morreu. Eu quero justiça porque eles foram negligentes”, destaca.

O vigilante disse que não chegou nem ver o filho com vida. “Por volta das 1h30min eu recebi a notícia que meu filho havia morrido e eu nem cheguei a vê-lo vivo”. O pai acredita que foi erro médico, bem como dos funcionários do setor que provocaram a morte do filho.

Segundo Júlio César, a gravidez foi acompanhada e todos os exames necessários foram feitos e comprovaram que o bebê não tinha nenhum problema. “Como podem alegar que meu filho morreu de embolia pulmonar se fizemos todos os exames morfológicos e deu que estava tudo certo com ele”, indaga.

Agora a família aguarda o laudo do IMOL para saber o que causou a morte da criança. “Imagina eu ver todo dia minha esposa dormir com a roupinha do bebê e chorando? Quero saber a verdade do que aconteceu com meu filho e quero justiça”, finalizou.

Com o apoio da Avem-MS a família registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil e por ordem do delegado o corpo da criança está retido no IMOL para avaliar a causa da morte. Caso seja comprovada negligência os médicos e enfermeiros do hospital Regional poderão ser incriminados.

Procurada pelo site Midiamax, a Secretaria Estadual de Saúde informou que foi instaurada, pela direção do Hospital Regional, nesta segunda-feira (14), uma sindicância para verificar os procedimentos de atendimento do bebê e apurar os possíveis erros. Ainda não foi definido o prazo de conclusão das investigações, uma vez que a instauração da sindicância ainda não foi publicada no Diário Oficial do Estado. O limite de 30 dias para a finalização da apuração deve ser contado a partir do dia em que foi feito o registro oficial.

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