19/01/2014 – Atualizado em 19/01/2014
Demorei mas descobri
Por: Paulo Trevisan
Demorei muito tempo pra descobrir o que vim fazer no mundo…quando criança, nada pra mim fazia sentido, achava a escola chata e repetitiva, não conseguia entender qual o sentido da raiz quadrada, e nem como aplica-la na vida real…na adolescência, me frustei ao descobrir que pra algumas pessoas, “ter”, era melhor do que “ser”…no segundo grau, comecei a me perguntar porque caralhos eu tinha que saber que
pH + pOH = 14 nas aulas de química…duvido que alguém que esteja lendo isso se lembre…na faculdade, pra pegar a mulherada o lance era posar de intelecto…li toda a literatura inglesa, todos os pensadores franceses, os grandes clássicos mundiais, mas nada impressionava mais as mulheres do que o misticismo, li tudo, de ” O Oculto” de Collins Wilson, até Hermes Trismegito com sua “Tabua da Esmeralda”, depois vieram os autores alucinógenos, Huxley, Orwell, devidamente acompanhado das experiencias estranhas…de repente, comecei achar tudo isso uma grande besteira e me aprofundei na religião…fui Hare-Krishna, budista, espirita, Seicho Noie, fiz curso na Umbanda, e quase virei evangélico…de repente, tudo perdeu a graça de novo…mudei de cidade, fui morar no Rio de Janeiro, virei diretor da Globo, comecei a viver o “Gran Monde” na década de 80, numa cidade cheia, de gente vazia, numa casa frequentada por “amigos” que eu mal conhecia, que nadavam na minha piscina de dia, e a noite desfilavam pelo baixo leblon fazendo a corte de Cazuza e Caetano numa busca sem fim por sex,drugs, and Rock “N”Roll…cansei disso tudo também…parece que minha vida vivia dando voltas, sai no mundo para tentar “ser”, mas depois de tanto tempo o importante ainda era “ter”…comecei a pirar…pirei legal…mandei a Rede Globo se fuder, vim para São Paulo pra uma nova vida, um novo amor, um novo rumo…tomei Ayuaska, descobri um outro universo na Kabala, a felicidade numa criança autista, e a paz na mulher que eu amo…hoje estou em sintonia com o universo…falo e ele me responde…procuro viver os pequenos prazeres da vida, porque os grandes já me fartei deles…esse relato, foi apenas porque me lembrei que um dia eu vou morrer…mas, eu ainda estou vivo, e pretendo continuar nesse planetinha por mais algum tempo ainda…ainda não descobri o que vim fazer no mundo…talvez nunca descubra…talvez…foi só uma passagem mesmo…mas viver…vale a pena…e esses escritos é só pra nos lembrar que um dia, todos voltaremos pra luz…de onde nunca deveríamos ter saído…


