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Empresários x DNIT: Reunião discute contorno rodoviário

Geral – 24/05/2013 – 19:05

Reunião que antes seria de portas fechadas, apenas com empresários e algumas autoridades, tornou o encontro organizado pelo DNIT (Departamento Nacional de Trânsito) um movimento dos empresários contra a proposta do contorno rodoviário projetado pelo DNIT.

A construção do novo contorno, que visa desviar a rodovia BR-262 do perímetro urbano, gerou polêmica durante a reunião. A mesma aconteceu hoje (24), no SEST/SENAT em Três Lagoas e contou com a presença da prefeita Márcia Moura (PMDB), deputado federal Akira Otsubo (PMDB), Comandante da PM, Wilson Monari, Delegado Rogério Market Faria, presidente da Associação Comercial Atílio D´Agosto, empresários locais, representantes da Polícia Rodoviária Federal, Corpo de Bombeiros, técnicos do DNIT, bem como secretários da Prefeitura Municipal e Poder Legislativo.

A discussão girou em torno da mudança do contorno rodoviário que passaria pela avenida Ranulpho Marques Leal e que hoje, de acordo com novo projeto do DNIT, não mais passará pela avenida, sendo todo o fluxo desviado de dentro da cidade. Os empresários alegaram que Três Lagoas se tornará excluída e isolada do fluxo, sendo que muitas pessoas poderão deixar de visitar a cidade com o desvio proposto.

DNIT

Com objetivo de explicar o motivo da reunião e a parte técnica do projeto do contorno, o engenheiro supervisor, Milton Marinho, falou sobre os motivos da mudança.

“A alta velocidade e o fluxo intenso de veículos leves e pesados na avenida Ranulpho Marques Leal, é de 25 mil por dia, mesmo com lombadas e semáforos, a quantidade de acidentes diários é assustador e esse número pode aumentar conforme os anos passam. Quando apresentado ao Ministério de Planejamento, eles verificaram o estado crítico com base nos dados e estatísticas referentes à avenida, onde 50% dos fluxos são de caminhões. É importante ressaltar que o projeto favorece o município, pois tira esse trânsito intenso de dentro da cidade e melhora os acessos”, explicou Marinho.

De acordo com o engenheiro, a ponte nova estará pronta em junho de 2014. E para melhorar os acessos, o contorno contaria com viadutos e elevados, todos construídos com recursos federais.

“Três Lagoas não é mais aquele município pequeno, se trata de uma cidade que cresceu e está em franco desenvolvimento, portanto, precisamos pensar no futuro. A Ranulpho, até o término da construção deste contorno que será de 2 a 3 anos, será remodelada para adaptar-se ao volume de veículos que circulam por ela atualmente”, afirmou Marinho.

PRF

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) aproveitou a oportunidade para expor dados alarmantes sobre o número de mortes na rodovia. De acordo com o Comandante Evanderlei, do quilômetro primeiro que inicia-se antes de ponte até o quilômetro 13 da BR 158, uma pessoa morre por quilômetro, isso sem contabilizar as pessoas que sofrem o acidente e não vem à óbito no local.

Em 2011 foram 450 acidentes, em 2012 foram 560 acidentes, para 2013, estima-se que este número chegue a 600, sendo 50% deles em pontos críticos da cidade, entre a empresa Mabel e o trevo de Brasilândia.

“A BR 262 possui hoje extensão de 770 km e liga Três Lagoas a Corumbá, o ponto mais crítico de toda esta rodovia se encontra tão somente nestes 13 primeiros quilômetros”, revelou o Comandante.

PODER PÚBLICO

Segundo a prefeita, Márcia Moura, os dados falam por si e é preciso também pensar na população três-lagoense que sofre com acidentes ocorridos regularmente.

“Contra números não há argumentos e para que o projeto seja desenvolvido de modo em que atenda à todos, estaremos nos reunindo para avaliarmos juntos a proposta dos empresários que possuem seus empreendimentos na avenida”, disse a prefeita.

Já o Secretário de Assuntos Governamentais, Walmir Arantes, revelou que com a chegada do Porto Seco, às portas de ser implantado, o número de carretas que trafegarão pela avenida Ranulpho será de 30 por hora.

EMPRESÁRIOS

O empresário Rubens Miranda de Mello, proprietário de um posto de gasolina localizada na Ranulpho Marques Leal, falou sobre a possibilidade de discutir a situação de maneira clara, para que os empresários que possuem empreendimentos na avenida, não sejam prejudicados.

“Acreditamos que a implantação deste contorno irá nos prejudicar e também prejudicar a cidade, que ficará às moscas. É preciso colocar-nos opções que condizem com a nossa realidade, ou seja, porque não duplicar a avenida Ranulpho e aproveitá-la como já tem sido feito? Tantos outros estados e lugares fizeram o mesmo, existem meios, existem novas sugestões”, reivindicou o empresário.

RESULTADO

O Comandante Arruda, do Corpo de Bombeiros do município foi enfático ao sugerir que a discussão se estenda também à população, por meio de uma audiência pública que receba o três-lagoense que é o maior interessado no tema.

“É importante lembrarmos que precisamos ouvir o povo, pois são eles que perdem suas famílias em acidentes nesta rodovia”, finalizou o comandante.

Para concluir, foi sugerido pelo Superintendente do DNIT, Euler José dos Santos, uma reunião dos empresários com o Poder Público na chance de realizarem sugestões referentes ao tema e que após esta reunião, uma audiência pública seja então marcada para discutir essas sugestões juntamente com a população.

Leia mais: Portas fechadas? DNIT organiza audiência pública sem divulgação

Fonte: Redação / Rádio Caçula

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