Geral – 24/05/2013 – 12:05
A adoção é uma experiência universal, ocorre em todas as culturas, desde sempre. A palavra adotar vem do latim e significa considerar, cuidar, escolher.
A adoção satisfaz a família que adota, que desejou ter uma criança e satisfaz a família que optou por dar o filho para a adoção. A falta é a marca que move todos os inúmeros personagens envolvidos no processo de aquisição de filiação. De um lado existe a falta de recurso para se ter um filho biológico, do outro a falta de recurso para se comprometer com os cuidados que um filho exige.
Há muitas razões para se adotar uma criança: esterilidade de um ou de ambos os pais, morte anterior de um filho, desejo de ter filhos após o vencimento do relógio biológico, vontade de ajudar os necessitados, de fazer o bem, medo de passar pelo processo de gravidez etc.
Toda filiação é um processo de adoção. Ter um filho implica numa construção imaginária sobre a criança, em compartilhamento de recordações, desejos e expectativas. Revive-se o sentido das palavras considerar, cuidar e escolher.
No entanto, responder a pergunta “por que adotar um filho?” se torna essencial no processo de adoção, pois o desejo de ajudar ou de amar não é razão suficiente para levar a cabo a adoção. Nem mesmo a riqueza material dos pais pode assegurar uma experiência razoavelmente boa de filiação. Ter um filho significa viver situações e sentir emoções as mais diversas e por longo tempo, exige comprometimento e capacidade de doação que superem o simples benemérito. Como qualquer filho biológico é importante para a criança adotiva saber que há um lugar escolhido especialmente para ela. Ser apenas o representante da bondade dos pais não lhe confere um lugar especifico, apenas dignifica os pais. A função de uma criança na família pode determinar estereótipos e sintomas, pode também representar um fardo inconsciente tanto para a família como para a criança.
Por isso é importante esclarecer as motivações conscientes e inconscientes presentes na adoção e assim criar a possibilidade de prevenção para dificuldades futuras.
Fonte: Folha de São Paulo


