O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) sua renúncia ao cargo, em meio a uma grave crise política e financeira que abalou o país. A decisão ocorre após o colapso do banco digital Ueno, que deixou milhões de clientes sem acesso às próprias contas e provocou uma onda de indignação popular.
A crise ganhou grandes proporções depois que o Banco Central do Paraguai determinou a intervenção na instituição financeira, diante de problemas identificados em sua situação econômica. Entre as irregularidades apontadas estão operações de crédito consideradas arriscadas, possíveis conflitos de interesses e dificuldades para cumprir exigências de capital.
O fechamento do banco provocou preocupação entre correntistas, empresas e instituições públicas. Milhares de pessoas passaram a enfrentar dificuldades para movimentar dinheiro, realizar transferências e acessar recursos depositados. A situação também levantou questionamentos sobre a segurança do sistema financeiro paraguaio.
A relação anterior de Santiago Peña com o grupo empresarial responsável pelo controle do banco aumentou a pressão sobre o governo. Antes de assumir a Presidência, Peña teve participação empresarial ligada ao Grupo Vázquez. Embora tenha deixado sua participação no grupo, sua relação com os empresários passou a ser questionada pela oposição.
Parlamentares cobraram explicações sobre possíveis conflitos de interesses, favorecimentos e falhas na fiscalização da instituição financeira. A crise avançou para o Congresso Nacional, onde ganhou força a articulação pelo impeachment do presidente.
Nesta quinta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade, com 78 votos favoráveis e nenhum contrário, o pedido de impeachment contra Peña, ampliando o isolamento político do chefe do Executivo.
Com a renúncia, o vice-presidente Pedro Alliana aparece como principal nome para assumir o comando do país, conforme as regras constitucionais de sucessão. A mudança deverá ser formalizada pelos procedimentos institucionais previstos na legislação paraguaia.
O Paraguai agora enfrenta o desafio de recuperar a confiança da população nas instituições públicas e no sistema financeiro, além de garantir que os clientes afetados consigam recuperar seus recursos.
A crise representa um dos momentos mais delicados da política paraguaia nos últimos anos, com impactos que vão além do setor bancário e colocam em discussão a estabilidade política e econômica do país.


