Balanço registra mais de R$ 4,3 milhões em dinheiro, 31 veículos, 16 armas, 6.512 munições e 167 relógios apreendidos
A Polícia Federal deflagrou, na quinta-feira (29), a Operação Tomada de Contas, que investiga suspeitas de irregularidades em contratos administrativos e pagamentos relacionados ao Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT). A ação resultou na prisão preventiva de seis pessoas e no afastamento de conselheiros do tribunal.
As diligências foram realizadas em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Em Mato Grosso do Sul, os policiais cumpriram mandados de busca e apreensão em Campo Grande e Três Lagoas.
A operação mobilizou mais de 180 policiais federais para cumprir seis mandados de prisão preventiva e 26 mandados de busca e apreensão, além de medidas de afastamento de sigilos e sequestro de bens autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Seis pessoas foram presas
Entre os presos está o presidente do TCE-MT, (S.R.A.). Também foram detidos:
- (R.L.), secretária-executiva do tribunal;
- (A.B.A.), servidor do TCE-MT;
- (G.P.P.M.), consultor jurídico-geral;
- (G.F.S.), advogado;
- (F.J.G.), advogado.
As prisões são preventivas e foram determinadas no âmbito da investigação. A operação busca esclarecer a possível participação dos envolvidos nas irregularidades apuradas.
Quatro conselheiros foram afastados
A operação também atingiu integrantes do Tribunal de Contas de Mato Grosso. Foram afastados o corregedor-geral G. A. M., os conselheiros J. C. N. e A. C. de A., além de V. A. da S., conselheiro aposentado que, segundo informações divulgadas sobre a decisão judicial, permanecia vinculado a uma comissão do tribunal.
As medidas cautelares têm como objetivo permitir o avanço das investigações e evitar possíveis interferências na apuração.
Milhões em dinheiro e objetos de luxo apreendidos
O balanço final da operação contabilizou seis presos, 27 celulares e 31 veículos apreendidos. Os policiais também recolheram 16 armas de fogo e 6.512 munições.
Entre os valores em dinheiro estão:
- Reais: R$ 4.360.607,00 (quatro milhões, trezentos e sessenta mil, seiscentos e sete reais);
- Dólares americanos: US$ 106.865,00 (cento e seis mil, oitocentos e sessenta e cinco dólares);
- Euros: € 19.870,00 (dezenove mil, oitocentos e setenta euros);
- Libras esterlinas: £ 2.000,00 (duas mil libras);
- Pesos argentinos: 3.650 pesos argentinos.
Também foram apreendidos 167 relógios e 112 garrafas de vinho.
Durante as diligências, houve ainda o registro de um flagrante relacionado a armas e a lavratura de um termo circunstanciado relacionado a drogas.

O que a Polícia Federal investiga
Segundo a Polícia Federal, a investigação apura indícios de que a suspensão de contratos administrativos teria sido utilizada como mecanismo de pressão sobre fornecedores. Também são investigadas suspeitas de tratamento diferenciado na liberação de recursos públicos.
Outro eixo da apuração envolve possíveis divergências em pagamentos realizados a empresas, movimentações financeiras atípicas envolvendo servidores e saques recorrentes em dinheiro. Os investigadores buscam esclarecer eventuais relações entre créditos bancários e retiradas em espécie realizadas nas dependências do tribunal.
Os fatos investigados podem configurar, em tese, crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A investigação continua sob responsabilidade das autoridades competentes. As suspeitas ainda dependem de apuração judicial, e os investigados têm direito à presunção de inocência.


