Retotalização realizada pelo TRE-MS após decisão do Tribunal Superior Eleitoral alterou a lista de suplentes; Dione Hashioka passou à segunda posição, enquanto os quatro deputados estaduais eleitos pela Federação União Progressista mantiveram suas vagas.
A Justiça Eleitoral de Mato Grosso do Sul realizou, na quarta-feira (21 de outubro), a retotalização dos votos do primeiro turno das eleições de 2026 para deputado estadual e deputado federal. O procedimento foi necessário após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indeferir o registro de candidatura de Jerson Domingos, que concorreu a uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems).
Com a decisão, os 16.884 votos recebidos por Jerson deixaram de ser considerados para sua candidatura na totalização eleitoral. A mudança provocou uma reorganização na lista de suplentes da Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP).
O procedimento foi realizado no plenário do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), em Campo Grande, para adequar o resultado da eleição à decisão da instância superior.
Dione Hashioka avança na lista de suplentes
Antes da retotalização, Jerson Domingos ocupava a segunda posição entre os suplentes da federação. Com o indeferimento de seu registro, ele deixou a lista, e os candidatos que estavam abaixo avançaram uma posição.
O professor Marcelo Miranda (PP), que recebeu 23.112 votos, permaneceu como primeiro suplente. Já Dione Hashioka (União Brasil), com 15.244 votos, passou a ocupar a segunda suplência.
A reorganização também alterou a posição dos demais candidatos na relação de suplentes da federação.
Deputados eleitos mantêm as vagas
Apesar da mudança, a retotalização não alterou a composição da bancada eleita pela Federação União Progressista na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.
Os quatro deputados estaduais eleitos pela federação continuam sendo:
- Gerson Claro (PP): 35.767 votos;
- Londres Machado (PP): 33.581 votos;
- Hélio Peluffo (PP): 31.435 votos;
- Professor Rinaldo Modesto (União Brasil): 23.763 votos.
A decisão, portanto, modificou a ordem de suplência, mas não retirou cadeiras dos parlamentares eleitos.
O juiz auxiliar da Presidência do TRE-MS, Luiz Felipe Medeiros, explicou que Jerson não havia conquistado uma vaga como titular e que a alteração se restringiu à posição ocupada pelos suplentes.
Por que os votos foram anulados?
A retotalização ocorreu depois que o Tribunal Superior Eleitoral acolheu, por unanimidade, um recurso apresentado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE). O julgamento foi concluído em 8 de outubro e reformou a decisão anterior do TRE-MS, que havia autorizado a candidatura de Jerson Domingos.
O pedido de impugnação apresentado pelo Ministério Público Eleitoral apontou acusações relacionadas à Operação Omertà, investigação sobre organização criminosa em Mato Grosso do Sul.
Jerson responde a processo no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por suspeita de embaraçar investigação de organização criminosa, conforme a acusação apresentada no caso. As acusações devem ser tratadas como alegações judiciais, e não como condenação definitiva.
Com o indeferimento do registro de candidatura, a Justiça Eleitoral precisou recalcular a totalização dos votos e atualizar a lista de suplentes, em cumprimento à decisão do TSE.
O que é a retotalização dos votos?
A retotalização é o reprocessamento dos cálculos oficiais de uma eleição para adequar o resultado a uma decisão judicial que altera a situação de uma candidatura ou a destinação dos votos.
Nas eleições proporcionais, utilizadas para escolher deputados estaduais e federais, o cálculo considera as regras eleitorais para distribuição das vagas entre partidos e federações. Por isso, uma decisão envolvendo um candidato pode exigir a atualização dos resultados e da ordem de suplência.
No caso de Jerson Domingos, o procedimento realizado pelo TRE-MS confirmou uma nova classificação dos suplentes, sem alterar as quatro vagas conquistadas pela Federação União Progressista na Assembleia Legislativa.


