Em entrevista ao programa Bom Dia Toninha Campos, senador eleito destacou desafios econômicos, ferrovias, segurança pública e demandas dos município
O ex-governador de Mato Grosso do Sul e senador eleito Reinaldo Azambuja participou, nesta quarta-feira (21), do programa Bom Dia Toninha Campos, da Rádio Caçula, em Três Lagoas. Durante a entrevista, ele abordou temas como economia, gestão dos recursos públicos, infraestrutura e segurança pública, além de destacar demandas que considera prioritárias para Mato Grosso do Sul e seus municípios.
Ao lado do prefeito de Três Lagoas, Cassiano Maia, Azambuja agradeceu à população pela votação recebida nas eleições e falou sobre os desafios que, em sua avaliação, devem estar entre as prioridades da representação política do Estado no cenário nacional.
ECONOMIA
Azambuja defendeu a redução das despesas administrativas e a revisão da estrutura do governo federal. Como exemplo, mencionou a reorganização promovida durante sua gestão à frente do Governo de Mato Grosso do Sul, quando o número de secretarias estaduais foi reduzido de 18 para 11.
“Nós temos que gastar menos em Brasília e mais no Brasil”, afirmou.
Na avaliação do ex-governador, a administração pública precisa direcionar mais recursos para áreas essenciais e investimentos que atendam diretamente às necessidades da população.
Ele também manifestou preocupação com o endividamento das famílias, o custo de vida, as taxas de juros e as dificuldades enfrentadas pelos setores produtivos. Segundo Azambuja, o cenário econômico exige medidas que estimulem a atividade empresarial e ampliem a capacidade de investimento.
Ao comentar a situação das prefeituras, ressaltou que os municípios também enfrentam dificuldades financeiras.
“Acabou o crescimento da economia, a economia não desenvolve mais, os municípios pagam a conta, então todo mundo em dificuldade”, declarou.
FERROVIAS
A infraestrutura logística de Mato Grosso do Sul teve destaque na entrevista. Azambuja defendeu a retomada dos projetos ferroviários como alternativa para reduzir os custos de transporte e melhorar o escoamento da produção estadual.
“Um estado que triplicou a produção em 11 anos não pode transportar tudo em caminhão e carreta. Nós temos que ter a ferrovia de volta”, afirmou.
Entre as propostas mencionadas estão a ligação ferroviária entre Três Lagoas e Aparecida do Taboado, com conexão à Ferrovia Norte, além de um novo trecho entre Três Lagoas e Campo Grande. O ex-governador também citou a possibilidade de aproveitar a estrutura ferroviária existente entre Campo Grande e Corumbá, especialmente para o transporte de minério e outras riquezas produzidas na região.
Para Azambuja, os projetos precisam contar com planejamento e viabilidade econômica para que os leilões e as futuras obras possam efetivamente sair do papel.
Ele também mencionou a duplicação da BR-262, a Rota da Celulose e a produção de fertilizantes nitrogenados como iniciativas importantes para fortalecer a competitividade do agronegócio e da indústria.
SAÚDE
Na área da saúde, Azambuja apontou a necessidade de atualização da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS), utilizada para remunerar procedimentos realizados por hospitais públicos e filantrópicos.
“Reajustar a tabela SUS. Isso está defasado. Ela que financia os hospitais públicos e filantrópicos está totalmente defasada”, declarou.
Segundo ele, a atualização dos valores é uma das medidas necessárias para melhorar o financiamento dos serviços de saúde e dar condições de atendimento às instituições que dependem dos recursos do sistema público.
SEGURANÇA
Na segurança pública, o ex-governador defendeu uma participação mais efetiva do governo federal em parceria com os estados, principalmente no enfrentamento ao tráfico de drogas e aos crimes relacionados à atuação de organizações criminosas nas regiões de fronteira.
“Ou a gente enfrenta realmente a criminalidade, ou a gente perde o jogo. E nós não podemos perder esse jogo”, afirmou.
Azambuja também chamou atenção para os custos do sistema prisional de Mato Grosso do Sul. Durante a entrevista, declarou que o Estado gasta aproximadamente R$ 280 milhões por ano com a custódia de presos que, segundo sua avaliação, deveriam receber maior suporte financeiro da União.
Ele afirmou que pretende levar essa discussão ao Senado, buscando rever a divisão de responsabilidades entre os governos federal e estadual.
“Com 280 milhões, dá pra gente construir 28 mil casas do programa Lote Urbanizado em quatro anos”, disse, ao comparar o custo citado com a possibilidade de ampliar investimentos em habitação.
O senador eleito defendeu que os recursos públicos sejam direcionados às prioridades da população e que o governo federal participe mais efetivamente das despesas relacionadas ao combate ao crime organizado.
MUNICÍPIOS
O prefeito Cassiano Maia também comentou as dificuldades orçamentárias enfrentadas pelas administrações municipais e destacou a importância do controle das despesas e da responsabilidade fiscal.
“A gente precisa realmente ter uma gestão voltada a uma responsabilidade fiscal, à diminuição das gastanças, à diminuição dos custos”, afirmou .
O prefeito ressaltou ainda a importância da articulação política para viabilizar investimentos e atender às demandas de Três Lagoas. Durante a conversa, manifestou expectativa de que o município continue avançando com apoio dos representantes estaduais e federais.
A entrevista também abordou a necessidade de fortalecer a capacidade de investimento das prefeituras, ampliar a infraestrutura e garantir melhores condições para o desenvolvimento econômico regional.
CAVALGADA
Durante o programa, Cassiano Maia fez um balanço da cavalgada realizada em Três Lagoas no fim de semana anterior. Segundo o prefeito, o evento reuniu mais de 8 mil pessoas e contou com a participação de mais de 300 cavaleiros.
“Foi uma cavalgada muito bonita, mais de 8 mil pessoas participaram, mais de 300 cavaleiros fizeram o trajeto da cavalgada”, destacou.
Cassiano ressaltou a importância da programação para a valorização da cultura sertaneja e do agronegócio, além de agradecer ao Sindicato Rural pela organização da festa.


