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Três Lagoas
quinta-feira, 15 de outubro, 2026

Vigilante da Polícia Federal é preso suspeito de vazar informações para quadrilha que traficava drogas

Prisão ocorreu nesta quinta-feira (15), em Corumbá (MS), durante a Operação Capolinea. Investigação aponta que o suspeito repassava dados internos da delegacia a integrantes de organização criminosa que teria movimentado 24 toneladas de entorpecentes.

Um vigilante que trabalhava na Delegacia da Polícia Federal em Corumbá, em Mato Grosso do Sul, foi preso na manhã desta quinta-feira, 15 de outubro de 2026, durante a Operação Capolinea. Ele é suspeito de repassar informações internas da unidade policial a uma organização criminosa investigada por transportar drogas da Bolívia para o Brasil. Conforme as apurações, o homem é enteado de um dos apontados como líderes do grupo e teria compartilhado informações sobre a rotina da delegacia, a presença de equipes policiais, a situação de presos e procedimentos realizados no local. Também há suspeita de que tenha enviado fotografias de apreensões e documentos internos aos integrantes da quadrilha.

A operação foi deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Mato Grosso do Sul (FICCO/MS), com a participação de aproximadamente 100 policiais. As equipes cumprem mandados em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa transnacional. A Justiça Federal autorizou 20 mandados de busca e apreensão, além de 21 mandados de prisão, sendo 14 preventivos e sete temporários. Também foi determinado o sequestro e o bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 24 milhões.

Três Lagoas está no centro das investigações

A investigação tem ligação direta com Três Lagoas. As apurações avançaram após uma apreensão realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), em 13 de agosto de 2025, na BR-262, no município. Durante a fiscalização de um caminhão Scania/T113, os policiais identificaram irregularidades nos pneus sobressalentes e encontraram aproximadamente 35 quilos de cocaína e 12,5 quilos de maconha escondidos no interior de um pneu.

Na ocasião, o motorista informou que havia recebido os pneus em Corumbá e que faria o transporte até Bauru, no interior de São Paulo. O passageiro, filho do condutor, afirmou desconhecer a presença dos entorpecentes. Segundo a investigação, o vigilante preso também é suspeito de guardar drogas em casa e transportar entorpecentes entre a Bolívia e o Brasil, incluindo uma carga relacionada às apurações sobre o caso de Três Lagoas.

Quadrilha utilizava caminhões de minério para transportar drogas

De acordo com as autoridades, a organização criminosa utilizava a fronteira entre Corumbá e Puerto Quijarro, na Bolívia, para introduzir drogas em território brasileiro. Uma das estratégias consistia em esconder os entorpecentes em caminhões que transportavam minério de ferro, aproveitando o intenso fluxo de veículos de carga na região.

Os investigadores também apuram o possível aliciamento de funcionários de empresas do setor mineral, incluindo supervisores e operadores de balança, para facilitar a passagem dos veículos sem a fiscalização adequada. Os pagamentos pelos serviços ilícitos teriam sido realizados por meio de transferências via Pix.

Além de pneus, os criminosos supostamente escondiam drogas em tanques de combustível e cargas de grãos. Depois de ingressarem no Brasil, os entorpecentes seriam distribuídos para Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais. No período analisado, o grupo teria negociado aproximadamente 24 toneladas de drogas.

Celular ajudou a identificar estrutura criminosa

As investigações foram aprofundadas após a análise de um telefone celular apreendido com um integrante da organização. As informações encontradas no aparelho ajudaram os investigadores a identificar a estrutura do grupo e apontar um suposto líder que estaria escondido na Bolívia havia cerca de seis anos.

A Justiça Federal também autorizou a inclusão de três investigados que vivem no exterior na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para solicitar a localização de pessoas procuradas internacionalmente e subsidiar medidas de prisão conforme as regras aplicáveis.

Os investigados poderão responder por tráfico internacional de drogas e participação em organização criminosa, entre outros crimes que eventualmente sejam identificados no decorrer das apurações.

Operação continua em andamento

A Operação Capolinea tem como objetivo interromper a rota de tráfico internacional e desarticular a estrutura logística e financeira do grupo. O nome da ação significa “fim da linha”, em italiano, e faz referência à intenção de encerrar as atividades da organização investigada.

Até a divulgação das primeiras informações, a operação havia resultado em duas prisões e na apreensão de um revólver calibre .32, enquanto um dos alvos procurados em Campo Grande não havia sido localizado no endereço informado. As diligências continuavam em andamento, e o balanço final ainda dependia da conclusão dos trabalhos policiais.

O caso chama a atenção em Três Lagoas porque uma apreensão realizada na BR-262, em agosto de 2025, ajudou a impulsionar as investigações que agora alcançam suspeitos de integrar uma organização criminosa com atuação internacional.

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