O Brasil tem uma história respeitável no tênis, mesmo sem que a modalidade esteja entre as que recebem mais investimento no país, algo comum a vários esportes olímpicos. Ainda assim, de tempos em tempos surgem atletas capazes de chegar aos principais escalões do circuito, o que por si só já é um feito a ser celebrado.
Hoje, a resposta é curta no simples: João Fonseca é o único brasileiro no top 100 da ATP, e nenhuma brasileira aparece entre as 100 melhores da WTA. Nas duplas, o cenário é bem diferente, com Luisa Stefani entre as três melhores do mundo e a parceria de Orlando Luz e Rafael Matos no top 20.
H2 – João Fonseca
João é a grande novidade do tênis brasileiro. Aos 20 anos, ocupa a 29ª posição do ranking mundial, depois de ter chegado ao 24º lugar, sua melhor marca. Em 2025, conquistou o ATP 250 de Buenos Aires, seu primeiro título no circuito, e o ATP 500 da Basileia, o maior da carreira até aqui.
Em 2026, deu mais um passo ao chegar às quartas de final de Roland Garros, e ainda levantou o troféu de duplas do Rio Open ao lado de Marcelo Melo. Com o ATP 500 de Tóquio, a defesa do título na Basileia e o Masters 1000 de Paris pela frente, quem quiser acompanhar sua reta final de temporada encontra as análises dos jogos de tênis rodada a rodada.
H2 – Luisa Stefani
Não há como falar do tênis brasileiro atual sem Luisa Stefani. Especialista em duplas, ela ocupa a 3ª posição do ranking mundial, a melhor marca da carreira, e foi a primeira brasileira a entrar no top 10 e no top 5 da modalidade.
Além do título de duplas mistas no Australian Open de 2023, ao lado de Rafael Matos, e da medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio com Laura Pigossi, Luisa vive em 2026 a melhor temporada da carreira. Ao lado da canadense Gabriela Dabrowski, venceu o WTA 1000 de Dubai e os torneios de Estrasburgo e Eastbourne, chegou à final de Wimbledon e já garantiu vaga no WTA Finals, que será disputado em novembro, em Indian Wells. No ano passado, ela já tinha sido vice-campeã da competição, jogando com a húngara Timea Babos.
H2 – Orlando Luz e Rafael Matos
O gaúcho Orlando Luz nunca teve grande destaque no simples: sua melhor posição foi o 272º lugar, em 2021. Seu foco são as duplas, onde alcançou o 13º lugar do ranking mundial, sua melhor marca, graças a uma temporada histórica ao lado de Rafael Matos. Juntos, a dupla 100% brasileira venceu em 2026 os torneios de Buenos Aires e Santiago e, principalmente, os Masters 1000 do Canadá e de Cincinnati.
A trajetória do parceiro tem muitas semelhanças. Também especialista em duplas, Rafael Matos chegou ao 16º lugar do ranking, sua melhor posição, e soma 15 títulos no circuito da ATP, incluindo o Rio Open de 2025 ao lado de Marcelo Melo. Seu resultado mais marcante, porém, continua sendo o título de duplas mistas no Australian Open de 2023, com Luisa Stefani: foi a primeira vez que uma dupla brasileira venceu um Grand Slam.
H2 – Quem está perto do top 100
Gustavo Heide é o nome mais próximo de acompanhar João Fonseca no top 100 de simples: ocupa hoje o 123º lugar e está a pouco mais de 130 pontos da marca.
No feminino, a exceção recente atende pelo nome de Beatriz Haddad Maia, primeira brasileira a entrar no top 10 de simples, em 2023, ano em que chegou à semifinal de Roland Garros. No ano seguinte, alcançou as quartas de final do US Open. Nas duplas, também foi top 10 e finalista do Australian Open de 2022. Afastada do circuito desde o início de agosto e hoje longe do top 100, ela passará por uma cirurgia no ombro esquerdo em outubro, com recuperação mínima de quatro meses, e ainda não definiu a data de retorno.
Companheira de Luisa Stefani no bronze de Tóquio, Laura Pigossi também foi campeã de duplas com a parceira nos Jogos Pan-Americanos de 2023, em Santiago, onde conquistou ainda o ouro no simples. Com títulos de WTA e ITF, ela já chegou perto do top 100 de simples e segue como um dos poucos nomes do país capazes de brilhar nas duas modalidades.
H2 – Outros especialistas em duplas
O circuito de duplas ainda conta com outros brasileiros experientes. Marcelo Demoliner, com títulos de ATP ao lado de nomes como Matwé Middelkoop e Santiago González, e Fernando Romboli, com vários títulos de Challenger, chegaram a formar parceria entre si e seguem competindo em alto nível. No feminino, Ingrid Martins soma títulos de duplas na WTA, com destaque para as parcerias com Quinn Gleason e Lidziya Marozava, e ainda busca resultados mais expressivos nos Grand Slams.
H2 – O que essa lista nos diz
O Brasil raramente teve mais de um nome de destaque no simples ao mesmo tempo, e hoje isso se repete: João Fonseca carrega praticamente sozinho a esperança do país, enquanto Bia Haddad Maia cuida da recuperação e nomes como Gustavo Heide tentam dar o próximo passo.
Nas duplas, a situação é outra. Luisa Stefani, Orlando Luz e Rafael Matos vivem o melhor momento de suas carreiras, com títulos de grande porte e presença constante na reta final dos principais torneios.
A falta de investimento na formação de novos talentos ajuda a explicar por que tão poucos atletas se destacam no simples. E, mesmo nas duplas, os bons resultados ainda parecem mais fruto de trajetórias individuais do que de um trabalho estruturado. Ainda assim, os nomes desta lista mostram que existe muito talento no país, e que o tênis brasileiro pode colher resultados ainda melhores nos próximos anos.


