Henrique Lopes e Déia Fernandes reforçaram a importância da contação de histórias e a produção cultural em Três Lagoas
O teatro, a contação de histórias e a valorização da cultura regional foram alguns dos principais assuntos da entrevista com o ator e produtor cultural Henrique Lopes e a atriz, diretora e dramaturga Déia Fernandes, realizada nesta quarta-feira, 07, durante o Jornal da Caçula, da Caçula FM 96.9.
Entre os destaques da conversa esteve o projeto “Em Cada Conto”, iniciativa da Educ’Art Produções Artísticas que vem levando histórias, teatro e imaginação para diferentes públicos e espaços de Três Lagoas e região.
Voltado especialmente para o público infantil, o espetáculo utiliza a contação de histórias como ferramenta de aproximação entre as crianças, a arte, a cultura e o meio ambiente. A montagem reúne três narrativas: “Gonzaguinha – O Tatu do Cerrado”, “O Guri e a Violinha” e “Capim Dourado – Uma Constelação no Cerrado”, histórias que dialogam com a fauna, a flora, a cultura e os elementos presentes no território sul-mato-grossense.
Durante a entrevista, Henrique Lopes falou sobre sua experiência nos palcos e na produção cultural e sobre o trabalho desenvolvido pela Educ’Art. O artista integra a equipe de “Em Cada Conto” e também possui atuação em outras áreas da produção audiovisual e teatral. Em 2025, por exemplo, esteve na direção do curta-metragem “Metamorfose”, exibido durante a Mostra Educ’Art.

TEATRO COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO
A conversa também trouxe para o centro do debate a importância de manter a produção artística ativa em Três Lagoas e de criar oportunidades para que novos artistas possam conhecer e experimentar o teatro.
Déia Fernandes, que possui uma trajetória ligada ao teatro, à dramaturgia e à formação artística, destacou a importância de projetos que aproximem a população das artes cênicas e ampliem o acesso à cultura.
A atuação da diretora na cidade passa por diferentes frentes. Além dos espetáculos, Déia está ligada à formação de novos artistas e à criação de projetos voltados à juventude. O Núcleo Jovem Educ’Art, por exemplo, foi criado com a proposta de oferecer formação teatral e possibilitar aos participantes vivenciar diferentes etapas da criação de um espetáculo.
A própria trajetória da artista inclui trabalhos de direção, dramaturgia e atuação. Em 2026, Déia também levou o espetáculo “Puerpéria” para um intercâmbio cultural em Uberaba, em Minas Gerais, ampliando a circulação da produção teatral de Três Lagoas para outros estados.
“EM CADA CONTO” LEVA HISTÓRIAS PARA ALÉM DOS PALCOS
Um dos pontos centrais da entrevista foi justamente a proposta de fazer com que o teatro não fique restrito aos espaços culturais tradicionais.
Na circulação de 2026, “Em Cada Conto” foi planejado para chegar a diferentes territórios de Três Lagoas e região, incluindo comunidade ribeirinha, assentamento rural, comunidade indígena e área de preservação ambiental.
A iniciativa é realizada com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio do Edital de Chamamento Público nº 22/2025 – Teatro Infantil, da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul.
A proposta reforça uma característica do trabalho desenvolvido pela Educ’Art: levar as artes cênicas para onde as pessoas estão, aproximando o público da produção cultural e utilizando a arte também como instrumento de educação.
CULTURA REGIONAL E PRESERVAÇÃO AMBIENTAL
Outro aspecto presente no trabalho apresentado durante a entrevista é a relação entre teatro, identidade cultural e preservação ambiental.
As histórias de “Em Cada Conto” apresentam personagens e elementos relacionados ao Cerrado e à natureza de Mato Grosso do Sul, permitindo que as crianças tenham contato com temas como biodiversidade, diversidade cultural, cuidado com o meio ambiente e valorização do território onde vivem.

Essa preocupação também aparece em outras produções da Educ’Art. Em “Três Marias”, por exemplo, a companhia trabalhou com mitologia, cultura indígena, memória e preservação ambiental, tendo Déia Fernandes na dramaturgia e direção e Henrique Lopes entre os contadores de histórias da montagem.
UM ESPAÇO PARA NOVOS ARTISTAS
A entrevista também abriu espaço para discutir os caminhos da produção cultural em Três Lagoas e a necessidade de incentivar novos talentos.
A Educ’Art vem desenvolvendo ações de formação e criação artística, buscando aproximar jovens, educadores, artistas e comunidade. Em 2026, uma das iniciativas foi a formação “Do Texto à Cena – Caminhos da Contação de Histórias”, realizada em parceria com a UFMS, voltada a professores, educadores sociais e agentes culturais.
Para Henrique e Déia, iniciativas desse tipo ajudam a fortalecer uma cadeia cultural que vai muito além da apresentação de um espetáculo, envolvendo formação, produção, criação, circulação e acesso da população à arte.
A circulação de 2026 faz parte desse movimento de expansão da arte para diferentes territórios. O projeto mostra que, em Três Lagoas, o teatro também pode ocupar praças, escolas, comunidades, áreas naturais e outros espaços, transformando cada lugar em cenário para novas histórias.


