Benefícios fiscais do Profert podem reforçar retomada da fábrica de fertilizantes, que já mobiliza cerca de mil trabalhadores e tem operação prevista para 2029
A retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), da Petrobras, em Três Lagoas, poderá contar com um novo impulso financeiro por meio de incentivos fiscais federais. A estimativa da economista Renata Farias, consultora-chefe da Fiems Conecta, em entrevista ao site Campo Grande News é de que o empreendimento possa acessar entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões em benefícios do Profert até 2031.
O programa federal foi criado com o objetivo de estimular investimentos na indústria nacional de fertilizantes e diminuir a dependência brasileira de produtos importados. A proposta prevê créditos tributários para empresas que implantem, ampliem ou modernizem unidades de produção no país.
Para a UFN3, o benefício poderá representar uma fonte adicional de apoio ao projeto, cujo investimento estimado pela Petrobras para conclusão é de aproximadamente US$ 1 bilhão, cerca de R$ 5 bilhões. A companhia prevê que a unidade entre em operação comercial em 2029.
OBRAS JÁ MOBILIZAM TRABALHADORES
A retomada da fábrica já começa a movimentar o mercado de trabalho de Três Lagoas. Segundo informações divulgadas pela Petrobras, cerca de mil trabalhadores já estão mobilizados para as atividades do empreendimento.
A estatal estima que a fase de conclusão da UFN3 possa gerar aproximadamente 8 mil empregos. A empresa também anunciou ações de qualificação profissional para atender à demanda de mão de obra necessária durante a execução do projeto.
As obras da unidade estavam paralisadas há anos, mas a Petrobras aprovou oficialmente a retomada em abril de 2026, após nova avaliação da viabilidade econômica e técnica do empreendimento.
FÁBRICA TERÁ PRODUÇÃO DE UREIA E AMÔNIA
Quando estiver em funcionamento, a UFN3 terá capacidade para produzir aproximadamente 3,6 mil toneladas de ureia por dia e 2,2 mil toneladas de amônia diariamente.
A produção deverá atender principalmente o mercado de fertilizantes do Centro-Sul e de estados importantes para o agronegócio, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo.
A entrada da unidade em operação também faz parte da estratégia da Petrobras de voltar a ampliar sua participação no setor de fertilizantes, considerado estratégico para reduzir a dependência do país das importações.
IMPACTO PODE ULTRAPASSAR OS LIMITES DA FÁBRICA
Além dos empregos diretamente ligados às obras, a expectativa é de que a retomada provoque efeitos sobre diferentes setores da economia de Três Lagoas.
O aumento da circulação de trabalhadores tende a movimentar segmentos como comércio, alimentação, transporte, hospedagem, serviços e locação de imóveis, além de ampliar a demanda por fornecedores e empresas que prestam serviços para o setor industrial.
Na avaliação da Fiems Conecta, a produção de fertilizantes em Mato Grosso do Sul também poderá fortalecer a cadeia do agronegócio e estimular a atividade econômica regional.
BNDES NÃO CONFIRMA FINANCIAMENTO
Outra possibilidade levantada durante as discussões sobre o financiamento da UFN3 envolve o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A instituição, entretanto, informou que atualmente não pode ampliar sua exposição à Petrobras porque já atingiu o limite prudencial estabelecido para um único cliente.
Dessa forma, o acesso aos benefícios fiscais do Profert ganha importância dentro das alternativas de financiamento e redução dos custos associados ao projeto.
PROJETO ESTRATÉGICO PARA TRÊS LAGOAS
A UFN3 é considerada um dos maiores projetos industriais em andamento na região e representa um novo ciclo de investimentos para Três Lagoas.
A Petrobras mantém a previsão de concluir o empreendimento e iniciar a operação comercial em 2029. A unidade deverá contribuir para a produção nacional de fertilizantes, ao mesmo tempo em que amplia a atividade econômica e a geração de empregos no município.
Com as obras avançando, a expectativa agora está voltada para a regulamentação do Profert e para a definição de como os incentivos fiscais poderão ser utilizados pelo setor de fertilizantes e, especificamente, pela UFN3.


