No segundo e último dia do Bioeconomy Horizons, representantes do Governo Federal, Embrapa e Senai ressaltaram a força da biomassa, da pesquisa e da inovação para atrair investimentos e desenvolver novas soluções
O potencial de Três Lagoas e de Mato Grosso do Sul para avançar na bioeconomia, atrair investimentos e transformar pesquisa em novos negócios foi destacado durante entrevistas realizadas nesta quinta-feira (24), segundo e último dia do IV International Workshop on Biomass Innovation – Bioeconomy Horizons: Sustainable Innovation, realizado no Instituto Senai de Inovação em Biomassa (ISI Biomassa), em Três Lagoas.
Ao longo da manhã, representantes do Governo Federal, da Embrapa e do Senai falaram sobre as oportunidades existentes na região e a importância de aproximar empresas, pesquisadores, instituições de inovação e poder público para transformar o potencial da biomassa em produtos, tecnologias e soluções de maior valor agregado.
Representando o Governo Federal e a Secretaria de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria, um dos participantes destacou a importância do evento para ampliar o diálogo com empresas, professores, pesquisadores e entidades do setor.
Segundo ele, estudos recentes apontam o grande potencial brasileiro para o aproveitamento de diferentes tipos de biomassa. Nesse cenário, o ISI Biomassa tem papel estratégico por sua estrutura e pela possibilidade de desenvolver projetos em parceria com outros institutos do Senai e com a Embrapa.
Entre as oportunidades citadas estão o desenvolvimento de biocombustíveis, bioinsumos, produtos para a indústria de cosméticos e soluções para alimentação funcional.
“Tudo isso fomenta mais projetos, mais bioeconomia, mais produtos de maior valor agregado”, destacou.

NOVOS INVESTIMENTOS
Durante a entrevista com o coordenador geral de bioindústria do ministério do desenvolvimento, José Ricardo Ramos Sales, a infraestrutura também foi apontada como um dos fatores importantes para o desenvolvimento econômico de Três Lagoas.
O representante do Governo Federal ressaltou que investimentos em logística, especialmente na infraestrutura aeroportuária, podem facilitar o deslocamento de profissionais e empresários, além de contribuir para tornar a cidade mais atrativa para novos empreendimentos.
Na avaliação apresentada durante a entrevista, uma logística mais eficiente reduz o tempo de deslocamento e pode dar mais segurança para empresas interessadas em se estabelecer na região.
A discussão ganha importância diante da força do setor de florestas plantadas e do potencial de aproveitamento da biomassa existente em Mato Grosso do Sul.
“Certamente essa questão da infraestrutura tem um componente interessante para a gente como país fomentar isso aqui e trazer novos investimentos para cá para aproveitar a rica biomassa da região”, afirmou.

EMBRAPII
Outro entrevistado, representante da EMBRAPII, Tiago Fideles, destacou a importância da participação da instituição no evento e a atuação do ISI Biomassa no desenvolvimento de projetos relacionados à bioeconomia.
Segundo ele, a unidade instalada em Três Lagoas representa aproximadamente 10% da carteira de contratação de projetos da Embrapa na área de bioeconomia.
O dado, apresentado durante a entrevista, reforça a participação do instituto nas iniciativas relacionadas ao setor.
O representante também ressaltou a necessidade de ampliar o acesso ao fomento e aproximar políticas públicas e indústria para criar condições para o desenvolvimento de novos produtos.
“Discutir junto com os colegas de como melhorar, de como ter acesso ao fomento, de como unificar políticas públicas junto com a indústria” foi apontado como um dos objetivos das discussões.
OPORTUNIDADE
A biotecnologia também esteve entre os assuntos abordados nas entrevistas. Foi destacado o potencial do setor para transformar conhecimento e pesquisa em negócios.
Em Mato Grosso do Sul, segundo ele, as oportunidades estão relacionadas tanto à indústria instalada quanto ao sistema de inovação existente no Estado.
Em Três Lagoas, a presença de indústrias, centros tecnológicos e instituições de pesquisa cria um ambiente considerado favorável para o desenvolvimento de projetos.
“Nós temos aqui um mar de oportunidades”, afirmou Roberto de Medeiros Junior, que é superintendente de inovação e tecnologia do Senai nacional.
Para o entrevistado, eventos como o Bioeconomy Horizons são importantes justamente por aproximarem os diferentes atores envolvidos na cadeia de inovação e criarem oportunidades para transformar a biotecnologia em resultados econômicos e sociais.

ISI BIOMASSA
Roberto ainda destacou ainda a trajetória dos institutos de inovação implantados pela instituição. Segundo ele, foram criados 26 institutos de inovação nos últimos dez anos, entre eles o ISI Biomassa, em Três Lagoas.
A unidade foi apresentada como uma referência nacional e internacional na área de biomassa e inovação tecnológica.
Além dos projetos já desenvolvidos, o instituto trabalha na criação de um habitat de inovação, que deverá aproximar empresas e startups das tecnologias e pesquisas desenvolvidas no local.
A proposta é criar condições para que o conhecimento produzido no instituto seja transformado em novos negócios e soluções para a indústria.
“O que nós enxergamos para os próximos dez anos ou para os próximos vinte é muito pesquisa e desenvolvimento, é muito negócio sendo criado aqui em Três Lagoas”, afirmou.
PESQUISA E INDÚSTRIA
Durante a entrevista, o representante do Senai também citou um estudo realizado em parceria com o instituto alemão Fraunhofer para avaliar o impacto da rede de institutos de inovação.
Segundo o dado apresentado, a rede teria gerado, ao longo de dez anos, um impacto médio anual equivalente a 0,66% do PIB nacional.
A proposta dos institutos, conforme explicou, é desenvolver soluções em conjunto com o setor produtivo e direcionadas às necessidades da indústria.
“Estamos desenvolvendo com a indústria e para a indústria, gerando valor, gerando impacto, gerando riqueza”, afirmou.
MOSTRA TECNOLÓGICA
O segundo e último dia do Bioeconomy Horizons, realizado nesta quinta-feira (24), começou às 8h e contou com palestra sobre Social Carbon®, seguida de painel sobre políticas de inovação para a bioeconomia.
A programação também incluiu a mostra tecnológica do ISI Biomassa, que apresentou projetos e pesquisas desenvolvidos pelo instituto. O encerramento oficial ocorreu ao meio-dia.
Realizado pelo Sistema Fiems, por meio do ISI Biomassa, o workshop reuniu especialistas nacionais e internacionais para discutir inovação, descarbonização, transição energética e o desenvolvimento de soluções baseadas em biomassa.
As entrevistas realizadas durante o segundo dia evidenciaram o papel estratégico de Três Lagoas nesse cenário, especialmente pela combinação entre a presença industrial, a disponibilidade de biomassa, a estrutura de pesquisa e a capacidade de desenvolvimento tecnológico instalada no município.
Com informações e entrevista do repórter Rafael Oliveira


